O final das oitivas da CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Saúde foi um dos principais temas tratados durante o programa Hora da Verdade Itinerante, que é transmitido direto de algum bairro de Franca, às sextas-feiras, realizado excepcionalmente ontem na Praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro. Os vereadores presentes, além dos ouvintes e locutores da Difusora aproveitaram para se despedirem do comentarista do programa, Corrêa Neves Júnior, que não estará mais no Hora da Verdade, a partir de hoje, por conta de sua pré-candidatura a deputado federal pelo PV (Partido Verde).
O extenso e polêmico depoimento da secretária de Saúde, Rosane Moscardini, na última quinta-feira, 5, marcou o fim da fase de depoimentos da CEI, que teve início no dia 20 de março, com 18 audiências e 42 depoentes.
Os vereadores Valéria Marson (PSDB), Márcio do Flórida (PT) e Daniel Radaeli (PMDB) trabalham agora na elaboração do relatório de conclusão da Comissão que deve ser lido na plenária da Câmara até o dia 13 de julho.
“Seria precipitado anunciar aqui algumas conclusões sem conversar antes com os outros vereadores que compõem a CEI. Mas problemas não preciso nem dizer que existem, pois vocês e a população estão cansados de saber. Estamos dialogando para esclarecer sobre as questões jurídicas para ver quais imputações que nós podemos enquadrar as pessoas envolvidas sem cometer excessos, mas fazendo o que é justo”, disse Flórida que é o relator da Comissão.
Mesmo ainda sem conclusão, a vereadora Valéria Marson avalia a CEI como positiva pela possibilidade de expor os problemas da saúde de Franca. “Até o presente momento não temos nenhuma divergência sobre as conclusões então pretendemos entregar um relatório único. Essa foi uma CEI que conseguimos conduzir de forma ética, deixando a questão partidária de lado, e pensamos realmente na saúde da população. Já estamos vendo algumas mudanças por parte do executivo, esperamos agora que dêem resultado”, disse Marson.
Investigações
A CEI da Saúde foi aberta pela Câmara de Vereadores no início de março para investigar possíveis irregularidades praticadas pela administração pública nos Prontos-socorros “Álvaro Azzuz” e Infantil.
Cabe à Comissão apurar, além das más condições das instalações do PSI, as mortes de Kelly Cristina de Souza, 27, que morreu em novembro de 2013, depois de passar diversas vezes pelo PS e ser operada na Santa Casa; de Luara Pietro Ribeiro, 25, que morreu em janeiro depois de passar oito vezes pelo “Azzuz” e enfrentar duas cirurgias também na Santa Casa; de Clésia Novais, 31, que morreu em fevereiro após receber glicose no PS mesmo sendo diabética; de Francisca Firmina da Silva, 47, que morreu em março, meia hora depois de receber alta no PS; e de Jean Carlos da Silva, que também morreu após ser diagnosticado com “crise de ansiedade” no “Azzuz” no fim de maio.
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