A cada divulgação dos índices de desemprego, o governo federal comemora, mesmo que a Pnad Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) tenha elevado os números registrados até então em mais de dois pontos percentuais, deixados de ter um índice em torno de 4% para algo entre 5% e 7,1%. Embora estes números possam sugerir que vivemos uma situação na qual todos que procuram trabalho conseguem encontrar, a realidade é bem diversa. Para os jovens com 18 a 24 anos, por exemplo, o índice sobe para 13%.
Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), pleno emprego é a situação em que o número de vagas oferecidas é próximo à quantidade de pessoas que procuram trabalho. O conceito também inclui boas condições de trabalho, como carteira assinada, jornada e remuneração justas, além de utilizar o máximo da capacidade produtiva do País. Quem acompanha o noticiário diariamente, vê que no Brasil não é bem assim. Ainda mais quando sabemos que temos uma população de 61,3 milhões de brasileiros de 14 anos ou mais que não trabalha nem procura ocupação — e, portanto, não entra nas estatísticas do desemprego. Trata-se de 38,5% da população considerada em idade de trabalhar pelo IBGE, ou o equivalente à soma do total de habitantes dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. É a chamada população “nem-nem” (nem trabalha e nem procura emprego).
Por isso, podemos dizer sem medo de errar que o número de desempregados no País é bem superior aos números oficiais. Soma-se a isso a falta de oferta de emprego, pois a demanda existente hoje necessita de profissionais especializados e falta este tipo de mão de obra. É uma situação que somente uma série de reformas e de ações em nível governamental poderá mudar. E a tributária — os impostos hoje penalizam indiscriminadamente quem produz e quem especula -- é a principal delas. Junte-se a isso a necessidade de incentivar os setores produtivos e os pequenos e micro empreendedores com estímulos, principalmente em termos de crédito.
Por isso, dizer hoje que o desemprego diminuiu ou que há menos pessoas desocupadas não basta para afirmar que estamos em condição de pleno emprego. Não é possível avaliar a situação sem considerar o número de brasileiros que deixaram de procurar uma ocupação. Se esse contingente tivesse ficado no mercado de trabalho, possivelmente nós teríamos uma taxa de desemprego maior.
O que se tem observado nos últimos anos é uma mudança no perfil da economia brasileira. Se antes a indústria era atrativa por contratar mais pessoas, agora é o setor de serviços que se destaca, contando com maior participação no PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil (69,4% em 2013). Isso expressa a perda de competitividade da indústria brasileira, principalmente em termos de comércio exterior. A política cambial e dificuldades de investimento tornam cada vez mais difícil o mercado externo para o produto brasileiro, o que acaba por refletir no emprego aqui no País. É uma situação que pode — e deve — ser revertida pelo bem dos trabalhadores brasileiros.
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