Pré-candidato, Corrêa Júnior se afasta do GCN, da Difusora e do ‘Comércio’


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O jornalista Corrêa Neves Júnior, comentarista do programa Hora da Verdade, da rádio Difusora AM, em edição itinerante ao lado do apresentador Leandro Vaz. Júnior deixa programa para disputar as eleições
O jornalista Corrêa Neves Júnior, comentarista do programa Hora da Verdade, da rádio Difusora AM, em edição itinerante ao lado do apresentador Leandro Vaz. Júnior deixa programa para disputar as eleições
O jornalista Corrêa Neves Júnior se afastará da direção do GCN, do jornal Comércio da Franca e da rádio Difusora nesta segunda-feira, 9 de junho. Pré-candidato a deputado federal pelo PV e crítico das distorções do processo eleitoral, ele decidiu se antecipar para garantir a igualdade de condições aos demais concorrentes.
 
Comentarista do programa Hora da Verdade da rádio Difusora AM, Corrêa Júnior poderia continuar no ar até o dia 15 deste mês, de acordo com a legislação eleitoral. Mas o programa terá uma edição especial no Centro nesta segunda-feira que marcará sua despedida. Apesar de não haver nenhuma obrigação de se afastar da rotina editorial do jornal, Júnior preferiu se desligar do Comércio da Franca também. Se quisesse, poderia continuar escrevendo a Gazetilha - coluna assinada por ele aos domingos no jornal - até o dia da eleição, em outubro. O último texto será publicado no próximo domingo, dia 15. A legislação eleitoral determina que apenas radialistas e apresentadores de TV se afastem dos programas. 
 
O afastamento começou a ser preparado nas últimas semanas com a transferência de uma série de responsabilidades que eram do jornalista para outros profissionais do grupo. Áreas que ele comandava foram divididas entre a diretora-administrativa do GCN, Dulce Xavier, e a gerente de circulação, Beatriz Ávila. Sonia Machiavelli será a diretora-responsável pelo Comércio. Joelma Ospedal e Everton Lima continuam comandando o Comércio e a Difusora, respectivamente.
 
Corrêa Júnior respira a rotina do jornal há 20 anos e participa com frequência da programação da Difusora desde que a emissora foi adquirida pelo GCN em 2005. Há quase dois anos, tornou-se comentarista fixo do programa Hora da Verdade. Pela primeira vez em duas décadas não terá papéis para assinar. Júnior está ansioso com a oportunidade de disputar as eleições pela primeira vez. Confira a entrevista com o jornalista e pré-candidato a deputado federal.
 
Você poderia continuar no rádio até o dia 15 e manter as funções no GCN durante a campanha. Por que decidiu se afastar agora?
Sou um crítico ferrenho das distorções do sistema político brasileiro e, especialmente, das distorções do sistema eleitoral. Ele é excludente, privilegia quem está no poder em detrimento de quem busca participar de outra forma. Se eu quero participar do processo político não poderia começar fazendo ou mantendo prática que condeno nos outros. Por esta razão, apesar da lei não me impedir de continuar escrevendo no jornal, resolvi suspender os textos também. Pretendo fazer um disputa justa e equilibrada com todos, inclusive nos espaços dedicados à cobertura das eleições em nossos veículos.
 
Como ficará o programa Hora da Verdade?
Espero e tenho certeza que vai continuar tão bom como tem sido. É uma experiência incrível que temos construído ao longo dos últimos meses. O Leandro Vaz, meu companheiro de bancada, segue apresentando o programa. Serei substituído nos comentários pelo professor José Chiachiri, que é um homem cultíssimo e tem grande experiência em política. Não haverá prejuízo, mas sentirei muita saudade. 
 
O Hora da Verdade Itinerante será suspenso durante a campanha?
Diferente do que alguns boateiros disseram, o Hora da Verdade Itinerante, que a Difusora apresenta ao vivo de um bairro diferente da cidade todas as sextas-feiras, não tem nada de eleitoreiro. É um programa jornalístico, que caiu no gosto da população e tem uma troca intensa entre a equipe e as pessoas que estão desamparadas nos bairros querendo que sua voz seja ouvida. O programa continuará presente nas ruas. Nas sextas-feiras, a atração ganhará o reforço do Everton Lima.
 
Como ficará a Gazetilha?
Continuará normalmente. É uma coluna que tem décadas de tradição no Comércio da Franca. Durante mais de 40 anos foi escrita pelo professor Alfredo Palermo, grande intelectual. Tive a honra de substituí-lo em 2009. Neste período, escrevi mais de 250 textos emitindo minha opinião sobre assuntos diversos. É importante que este espaço seja mantido. Durante meu afastamento, o professor Everton de Paula assumirá a Gazetilha. Tenho certeza que o espaço será muito bem cuidado.
 
O seu nome é publicado todos os dias na capa do jornal como diretor-responsável. Como ficará esta situação?
Até outubro, minha mãe, que é acionista da empresa e uma jornalista experiente, é quem vai responder, inclusive legalmente, como diretora-responsável. Sairá o nome de Corrêa Neves Júnior e entrará o de Sonia Machiavelli.
 
Pela primeira vez, aos 40 anos, você se filiou a um partido político. Por qual motivo se lançou como pré-candidato?
Sempre gostei muito de política. Nas últimas eleições para prefeito, fui convidado por cinco partidos diferentes para a disputa. Agradeci, mas recusei. Me filiei no prazo final, no ano passado, ao PV, que é um partido com o qual me identifico programaticamente, gosto da visão de mundo que o partido tem e das pessoas que estão lá. Respeito a história do PV. É um partido ficha limpa, onde não há escândalos de corrupção. Tenho as lições de meu pai na memória e os exemplos de minha mãe de vida, coragem, luta e brio. Tenho, ainda, minha mulher que me apoia. Sinto também uma vontade de fazer diferença de uma maneira mais efetiva na vida das pessoas. Como jornalista, a gente critica, propõe, mas quem pode mudar, efetivamente, são os políticos que têm mandato. É por querer mudar, fazer diferença que estou disposto a, se for a vontade do partido, disputar uma vaga em Brasília para discutir legislação federal.
 
Você sempre coordenou o projeto de cobertura das eleições feito pelo CGN, que é elogiado pela qualidade e isenção. A partir do momento em que você for candidato, como ficará a cobertura?
Acredito 100% na qualidade dos profissionais que a gente tem nesta casa. Esta é uma razão pela qual meu afastamento não será simbólico e, sim, de verdade, para entender que estou fora. Quem é candidato é o cidadão, o jornalista Corrêa Neves Júnior. Não é o GCN. Quero muito me orgulhar da cobertura isenta, ética e corajosa que veremos em todos os nossos veículos. Não terei nenhum tipo de tratamento diferente. Nas sabatinas, vou entrar pelo mesmo lugar onde entram todos os candidatos, ficarei na sala de espera como qualquer outro. Estarei com meus assessores políticos participando e fazendo um bom combate com os jornalistas tentando dar minha contribuição, que é falando o que penso, o que eu acho e o que acredito. 
 
Você recrutará funcionários do GCN para ajudar na campanha?
Claro que não, nem teria razão de ser. Os funcionários do jornal e da rádio continuam em suas funções normalmente. Das centenas de funcionários, só dois vão comigo neste projeto pessoal, que é meu motorista e minha secretária. Terei uma equipe profissional contratada para me ajudar, mas não tem nada a ver com as pessoas que trabalham no GCN. Não haverá mistura.
 
Caso sua candidatura seja confirmada na convenção, entrará na disputa com qual objetivo?
Entro para vencer. Farei a campanha com o mesmo empenho, organização, respeito, dedicação e intensidade que reservo a todas as coisas de minha vida. Não é balão de ensaio, não é tentativa de marcar posição, nem sonho com qualquer outro tipo de cargo. Tenho um sentimento de que é possível fazer diferença como deputado federal e, se esta for a decisão do partido, é por este objetivo que estarei trabalhando na próxima disputa eleitoral. 

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