Safra do café começa e produção é incógnita


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Foto de arquivo mostra terreiro de café em fazenda de Pedregulho: especialistas divergem sobre produção deste ano
Foto de arquivo mostra terreiro de café em fazenda de Pedregulho: especialistas divergem sobre produção deste ano
Em fase inicial de colheita, a safra de café 2014/2015 na região de Franca ainda é uma incógnita e divide a opinião de especialistas. Segundo previsão divulgada em novembro do ano passado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a estimativa inicial era de 1,8 milhão de sacas, mas parte do mercado acredita que haverá queda nesse número. Há, porém, aqueles que apostam em uma recuperação da produção e, consequentemente, um rendimento maior.
 
Grande produtora de café arábica, a região pode ter perda de produção devido à estiagem atípica e às elevada temperaturas registradas entre janeiro e março desse ano. Segundo o superintendente da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Franca), Ricardo Lima de Andrade, essas condições adversas acabaram prejudicando o enchimento dos grãos de café e, com isso, a quebra de safra pode ser considera certa na região. “Não podemos confirmar qual será a redução, mas ela ocorrerá”. Andrade não cita números, pois acredita ainda ser cedo para uma análise. “A colheita está em fase preliminar, não temos um volume suficiente. Esse cenário será melhor definido lá na frente”.
 
O diretor da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) Franca, o engenheiro Pedro César Barbosa Avelar, também aposta em redução e calcula que a região deverá colher até 15% menos em relação ao previsto. Segundo ele, muitas lavouras foram atingidas pela não granação do grão. “Faltou água quando era preciso, o café está com casca grossa, mas o grão está pequeno. Isso obriga o produtor a ter mais café para encher a saca”, disse Avelar, que estima também perda para a próxima safra. “O clima ruim dos últimos meses não afetou apenas a safra atual, mas também comprometeu a próxima em razão de ter atingido as lavouras mais novas”.
 
Altitude favorável
Na opinião do pesquisador científico do IEA (Instituto de Economia Agrícola), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, Celso Luís Rodrigues Vegro, o cenário da safra de café na região de Franca não é desesperador e o resultado final pode ser maior que o previsto. “A Alta Mogiana e o Cerrado Mineiro foram duas regiões produtoras de café que passaram quase imunes por esse período de altas temperaturas e estiagem. Diferente de outras localidade, há estimativa de crescimento na safra”, disse.
 
Para Vegro, que é especialista em café, a região de Franca, de modo especial Pedregulho, registrou chuvas isoladas e foi beneficiada também pela altitude. “Na Alta Mogiana, a alta temperatura não foi problema, pois o clima é mais ameno. Quem fez um bom trabalho de qualidade e gestão, conseguiu um retorno favorável”.
 
Segundo estimativa do IEA, a safra na região pode chegar até a 2 milhões de sacas, ante os 1,8 milhão previstos anteriormente. “A Alta Mogiana tem vocação de produzir café de alta qualidade e pode ser favorecida por ter grãos especiais, inclusive existe até a possibilidade do café voltar a ocupar o espaço da cana”.
 
No caso da produção estadual, no entanto, Vegro acredita que a safra cairá de 4,4 milhões de sacas para 4,2 milhões. “Existe uma tendência de queda no Estado, pois o café foi prejudicado pela seca”. A colheita do café na região começou em abril e deve seguir até meados de agosto.

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