O padre sem paciência


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- Sr. Padre, posso lhe fazer uma pergunta?
 
- Pode sim, só uma e acabaste de fazê-la. Até logo que estou indo almoçar.
 
Esse diálogo resumia bem o temperamento do Padre Manelão, sacerdote português que por desígnios de Deus e da Cúria Diocesana viera parar na pequena Coromandel.
 
Infinita era sua bondade, mas  sua paciência acabava rapidamente. Extremamente objetivo, se irritava facilmente mediante qualquer pergunta  que, a seu ver, indagava o óbvio.
 
Domingo, sete horas da manhã, Padre Manelão chega ao salão paroquial para mais uma daquelas  enfadonhas reuniões com as carolas do Conselho de Virtudes de Coromandel. A cara de “poucos amigos” denunciava uma noite mal dormida, fruto dos ofícios de um sacristão, e Padre Manelão foi logo avisando:
 
- Vamos ligeiro com os assuntos que eu tô cansado, passei a noite toda em vigília no velório de Coronel Gregório...
 
- Coronel Gregório morreu? - perguntou assustada dona Clotilde.
 
E o padre sem paciência respondeu:
 
- Não, não morreu não. Ele deitou no caixão só pra experimentar. O povo  chorou em volta pra dar uma “treinadinha”. Depois ele se levantou, abraçou a gente e fomos papear e tomar café na cozinha.
 
Reunião encerrada.  
 
 
Paulo Rubens Gimenes, Publicitário e ex-conselheiro do Comércio da Franca

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