Esquizofrenia ou paranoia?


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Alguma coisa deve estar bem errada com o psiquismo do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). Além de demonstrar, dezoito meses após a sua posse, que não adquiriu o necessário equilíbrio emocional exigido ao gestor público, o chefe do Executivo francano começa a desmentir os seus próprios atos oficiais. Dono de um estilo bastante excêntrico, caracterizado por não ouvir ninguém e agir conforme lhe dá na telha, o prefeito tucano notabiliza-se por conduzir uma administração que desconsidera opiniões diversas, essência do espírito democrático.
 
Depois de desautorizar auxiliares diretos e quebrar acordos com o Legislativo local, o que levou à renúncia seu líder na Câmara, Alexandre Ferreira passa a agir de forma esquizofrênica ao desconsiderar seus próprios atos. Desmente-se ao afirmar que não há crise na saúde pública de Franca um dia depois de decretar situação de emergência nos PSs “Álvaro Azzuz” e Infantil. Não fosse a reportagem exclusiva publicada pelo Comércio ontem, em razão de um trabalho excepcional do repórter Edson Arantes, tudo passaria em branco.
 
Poucas horas depois de assinar o referido decreto, em entrevista à repórter Tamara Pimenta, durante evento oficial, Alexandre Ferreira negou problemas nas unidades de saúde de Franca. Para ele, a medida não é resposta a mortes por procedimentos equivocados, falta de médicos, espera de dez horas para atendimento, consulta de um minuto, presença de ratos e baratas no PS infantil, indústria de horas extras que vêm sendo noticiadas diariamente. Etc. Para ele não existe crise na Saúde. “Crise é coisa da imprensa”, disse, como se as mídias francana, regional e nacional tivessem inventado os problemas. 
 
A palavra falada tornou-se uma; a escrita, outra, e ambas se tornaram irreconciliáveis neste caso perturbador pelo que pode desvelar de morbidez ou de caráter. Ao decretar emergência, o chefe do Executivo afirma que o estado do serviço oferecido é “delicado” e que a “desassistência” está comprovada; ao tentar responder sobre o decreto, se desdiz e fala que vai tudo bem, que não há crise na Saúde. Isso é grave, denuncia uma dissociação perturbadora. Mas ainda mais grave é a situação dos francanos que dependem de um sistema em colapso, insustentável, insuportável e obsceno. Pois são eles que ficam à mercê de um contexto que pode gestar outros cenários onde vidas humanas correrão riscos. 
 
Não bastasse demonstrar que está descolado da realidade dos que necessitam de atendimento público de saúde, Alexandre Ferreira tenta negar também que o decreto seja uma maneira de se resguardar de eventuais questionamentos judiciais sobre ações já anunciadas e que pretende implantar, conforme avaliou especialista ouvido pelo Comércio. São sinais evidentes de que há algo muito estranho na sua percepção, que ora aponta a imprensa como culpada pela incompetência administrativa, e então ele se mostra paranoico, ora o leva a esquecer o que assinou na véspera, chegando ao absurdo de se desmentir publicamente, e aí se desvelam traços esquizofrênicos.Enfim, faz pior que aquele sujeito desequilibrado que acusava a janela pela paisagem que exibia; o prefeito de Franca simplesmente nega a realidade, como se sua negação pudesse extinguir toda a ruindade de um governo que já é considerado de longe o pior de Franca. 
 
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