O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) reconheceu por pouco tempo o caos na Rede Pública de Saúde de Franca. Dois dias após jogar a toalha e decretar situação de emergência nos prontos-socorros “Álvaro Azzuz” e Infantil, o chefe do Executivo retomou a postura e o discurso que costuma adotar. Em entrevista na manhã de ontem, Alexandre voltou a esconder os problemas na Saúde e a afirmar que a culpa é da imprensa que, segundo ele, joga a população contra os serviços.
Apesar de no decreto 10.161, publicado no Diário Oficial do Município na última quarta-feira, o prefeito admitir a precária situação do atendimento na rede, ontem ele foi enfático ao afirmar o contrário. Para isso, citou diversas ações e estruturas da rede pública de saúde e tratou as recentes mortes suspeitas, os ratos, baratas e pombos no PS Infantil, a falta de médicos, as longas esperas por atendimento, as consultas de um minuto e a indústria de horas extras como “um problema pontual”.
“Não, não! Não há caos. Mesmo porque, por exemplo, nós não temos fila de tomografia, de internação, não morre ninguém nos corredores sem ter local para ser internado, não morre ninguém sem ter UTI para oferecer... Se não tem vaga, a gente compra do particular. Nós não temos dificuldade com laboratório, raio-X, exames de diagnóstico, medicamentos. Não temos nenhum paciente fora de hemodiálise, morrendo por falta de tratamento ou de um exame (...). Então é complicado falar desta história de caos. Nós não temos esta situação. Temos um problema pontual que precisa ser resolvido. Para isso, nós baixamos um decreto e vamos resolver o problema.”
Com esta fala, Alexandre desmente o que escreveu no decreto, onde afirma que o estado do serviço oferecido é “delicado” e que a “desassistência à população” está comprovada. Questionado sobre a contradição, ele tentou suavizar as interpretações dos termos e voltou a atacar a imprensa, mesmo tendo pedido, em nota encaminhada via assessoria de imprensa no dia anterior, o apoio da mídia.
“Nós estamos com a população em quatro horas, cinco horas de espera. Isso para nós chama desassistência. Agora, quando o paciente morre no corredor porque não tem vaga, quando não tem medicamento ou não tem condição de fazer exame e ele morre por falta de atendimento, isso não é desassistência, isso é criminoso. Criminoso também é afirmar isso e jogar a população contra os serviços de saúde.”
Na entrevista, Alexandre não deu o “braço a torcer” e negou também que o decreto seja uma maneira de se resguardar de futuros questionamentos judiciais sobre o pacote de medidas que anunciou recentemente para tentar amenizar os problemas enfrentados pela população. “Primeiro que nós não temos caos, segundo que ninguém está buscando se resguardar. O que a gente busca, com responsabilidade, é solucionar o problema que nós temos.”
Por fim, o chefe do Executivo citou mais uma vez a imprensa de forma pejorativa. Desta vez, ele deixou claro o ataque ao GCN ao afirmar que irá lançar novidades na Santa Casa, mas que irá informar o Diário da Franca com exclusividade. “Tem algumas novidades que vamos lançar na Santa Casa daqui para frente e vai melhorar ainda mais o atendimento da saúde em Franca, mas não vou contar para vocês. Vou mandar para o Diário da Franca”, disse o prefeito, enquanto seu assessor de imprensa, Marcelo Facuri, proibia a reportagem do Comércio de continuar com a entrevista.
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