Invictus


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Filme da semana mostra as relações de poder de um país dividido entre homens considerados ‘bons’ ou ‘ruins’
Filme da semana mostra as relações de poder de um país dividido entre homens considerados ‘bons’ ou ‘ruins’
Nem toda história ocorrida com um povo alcança o mérito de ser contada às próximas gerações. É preciso que haja nelas o toque do heroísmo, a seiva das transformações, a marca da trajetória de conquistas e vitórias que funcione ‘educativamente’ para seus descendentes.
 
Invictus é um filme que registra um momento especial da história recente da África do Sul. Em 1995, uma Copa do Mundo de Rugbi fez com que o país se reavaliasse. Traz à tona sonhos e tensões seculares. Gira em torno da habilidade unificadora de Nelson Mandela, líder popular que chegara ao poder após 27 anos de prisão.
 
Não se trata de uma biografia. É um breve instantâneo, uma faceta inquietante das complexas relações de poder de um país dividido, durante séculos, entre homens considerados ‘bons’ e ‘ruins’, ‘capazes’ e ‘incapazes’, ‘fortes’ ou ‘fracos’.
 
Dirigido por Clint Eastwoord e tendo como atores principais Morgan Freeman e Matt Damon, o filme baseia-se no livro homônimo do jornalista John Carlin. Consegue mostrar, de forma delicada e concisa, o crescente envolvimento dos habitantes de um país com um time a que chamam ‘seleção’. 
 
É muito interessante perceber os caminhos de identificação que pessoas diferentes vão tecendo com suas histórias. A expectativa comum é criada no espectador que também acaba vibrando a cada partida ‘invicta’ dessa seleção. Invicto é aquele que não é derrotado. No caso do filme, almejam derrotar a divisão, a apartheid, o preconceito, a velha nação. Intuitivo, Mandela forja a complexa teia da formação sócio-político-econômica e racial de seu povo.
 
Trazer à discussão Invictus no projeto Cinema e Psicanálise em pleno ano da realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil incita-nos à reflexão sobre como o esporte pode drenar sentimentos individuais e coletivos. O paralelo com a euforia nacional é inevitável. O olhar da psicanálise contempla também a emergência de figuras proeminentes, líderes carismáticos, nos diversos agrupamentos humanos. Ao refletimos sobre esse efeito nas construções ideológicas de indivíduos ou nações queremos captar o espontâneo, o manipulador, o genuíno, o artificial.
 
O que nossas mentes, no que têm de primitivo, arcaico ou simbólico, esperam no estabelecimento de heróis, de ícones, de representantes de todos nós? Quando Mandela ecoa a expressão ‘um time, um país’ a que força está apelando? A que tipo de sentimento o mesmo Mandela se refere quando enfatiza: ‘Não falem para as mentes deles. Falem para seus corações’?
 
Invictus tem suas respostas. A psicanálise tem suas formulações. E nós temos um encontro. Sábado, dia 07 de junho, às 15 horas.

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