Um dia e não faz muito tempo, o sol estava feliz e radiante. Contente pelas flores coloridas e pelos pássaros que aprenderam cantos novos. Sorria iluminado no final da tarde de satisfação pelo trabalho tão bem feito, orgulhoso consigo.
Antes de seguir viagem pelo céu para deixar-nos o anoitecer, permitiu escorrer de seus olhos uma lágrima de alegria que ao derramar-se em direção à terra foi ganhando vida. Era de zonzear qualquer olhinho atento que por ventura observasse o pontinho brilhante ziguezagueava caindo. Logo surgiram as asas compridas, similares a páginas de um livro aberto, e um corpo alongado e elegante. Assim nasceu a libélula chamada Luíza.
Ela é agitadíssima, fala quase o tempo inteiro e é difícil parar e escutá-la, pois, são mil palavras ao mesmo tempo.
-Por favor, Luíza, faça silêncio. Preciso terminar de contar a sua historia – Digo para Luíza que está aqui ao meu lado sem deixar-me contar direito os fatos. Ora vejam! Ela ficou corada.
Ela sempre me visita e fica encantada com as bonecas que tenho sobre a cama, são pequenas e charmosas como ela. Só uma coisa a deixa com medo e totalmente caladinha, é o escuro. Luíza tem medo de escuro. Assim sempre que ligo o computador não demora muito e ela já vem ler meus textos e dar inúmeros palpites sempre bem acolhidos por mim.
Outro dia ela anunciou-me que iria chover e acertou em cheio. Dei lhe uma de minhas bonecas de presente como agradecimento e ela ficou felicíssima. Era preciso agradecer, foi graças ao seu pertinente aviso que eu levei uma sombrinha e não me molhei.
E quando anoitece, para que ela não fique jururu, eu acendo uma luz, destas que podemos colocar na tomada em um cantinho do quarto. Afinal muita gente tem mesmo medo de escuro e isso é muito normal, não tenho por que deixá-la chateada e também tenho meus medos.
Medo e saudade são duas coisas que todas as pessoas têm, sejam grandes ou crianças ainda. Eu guardo minhas saudades dentro de meias de frio em um cantinho da gaveta e também no doce de coisas que eu comia antigamente. A minha amiguinha libélula guarda a saudade dela dentro de cada luz acesa e por isso vive a bater asas em direção a tudo que ilumina. E você, onde guarda a sua saudade?
-Psiu! – vamos fazer silêncio que ela finalmente pegou no sono. Boa noite, Luíza.
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