As crianças adoram o mês de junho. Aliás, muitos adultos também. É que nele acontecem as festas juninas, de grande tradição em nosso país. Bisavós, avós, pais, muitas gerações têm delas boas lembranças associadas à infância. Há grande animação nas comemorações aos três santos- Antônio, dia 13; João, dia 24; e Pedro, dia 29. Danças, comidas, jogos, leilões, quermesses, bandeirinhas e o jeito especial de cada região de nosso grande país são características destas celebrações que, de acordo com a região onde acontecem, podem durar o mês inteiro. É o que ocorre na Paraíba. Mas sejam elas apenas no dia dos santos ou durem um mês inteiro, uma coisa não pode faltar: a música. Uma expressão importante das juninas são as canções que foram compostas por grandes artistas brasileiros há décadas e continuam fazendo sucesso.
Destacamos nesta página as mais tocadas em todos os tempos, com os nomes de seus autores. Noites de junho faz menção ao frio, pois o inverno começa no hemisfério sul. Isso é lá com Santo Antônio lembra que o santo é procurado pelas moças que querem se casar. Pula a fogueira nos remete a uma dos símbolos das festas, ao redor da qual se costuma dançar. Sonho de papel recupera uma imagem que já não existe mais, ou seja, os balões que foram proibidos, pois ao cair podem incendiar prédios e causar enormes prejuízos. Capelinha de melão brinca com a imagem serena de São João. E Pedro, Antônio e João lista os três santos queridos dos brasileiros.Vamos cantar?
CAPELINHA DE MELÃO
Autores: Braguinha (1907-2006)
e Alberto Ribeiro (1902-1971)
Capelinha de melão
é de São João.
É de cravo, é de rosa, é de manjericão.
São João está dormindo,
não me ouve não.
Acordai, acordai, acordai, João.
Atirei rosas pelo caminho.
A ventania veio e levou.
Tu me fizeste com seus espinhos uma coroa de flor.
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PEDRO, ANTÔNIO E JOÃO
Autores: Benedito Lacerda (1903-1958)
e Oswaldo Santiago (1902-1976)
Com a filha de João
Antônio ia se casar,
mas Pedro fugiu com a noiva
na hora de ir pro altar.
A fogueira está queimando,
o balão está subindo,
Antônio estava chorando
e Pedro estava fugindo.
E no fim dessa história,
ao apagar-se a fogueira,
João consolava Antônio,
que caiu na bebedeira.
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SONHO DE PAPEL
Autores: Braguinha (1907-2006) e
Alberto Ribeiro (1902-1971)
O balão vai subindo, vem caindo a garoa.
O céu é tão lindo e a noite é tão boa.
São João, São João!
Acende a fogueira no meu coração.
Sonho de papel a girar na escuridão
soltei em seu louvor no sonho multicor.
Oh! Meu São João.
Meu balão azul foi subindo devagar
O vento que soprou meu sonho carregou.
Nem vai mais voltar.
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PULA A FOGUEIRA
Autor: João Braguinha (1907-2006)
Pula a fogueira Iaiá,
pula a fogueira Ioiô.
Cuidado para não se queimar.
Olha que a fogueira já queimou o meu amor.
Nesta noite de festança
todos caem na dança
alegrando o coração.
Foguetes, cantos e troca na cidade e na roça
em louvor a São João.
Nesta noite de folguedo
todos brincam sem medo
a soltar seu pistolão.
Morena flor do sertão, quero saber se tu és
dona do meu coração.
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NOITES DE JUNHO
Autores: Braguinha (1907-2006)
Alberto Ribeiro (1902-1971)
Noite fria, tão fria de junho
Os balões para o céu vão subindo
Entre as nuvens aos poucos sumindo
Envoltos num tênue véu
Os balões devem ser com certeza
As estrelas aqui desse mundo
As estrelas do espaço profundo
São os balões lá do céu
Balão do meu sonho dourado
Subiste enfeitado, cheinho de luz
Depois as crianças tascaram
Rasgaram teu bojo de listas azuis
E tu que invejando as estrelas
Sonhavas ao vê-las ser astro no céu
Hoje, balão apagado, acabas rasgado
Em trapos ao léu.
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ISTO É LÁ COM SANTO ANTÔNIO
Autor: Lamartine Babo (1904-1963)
Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio
São João disse que não!
São João disse que não!
Isto é lá com Santo Antônio!
Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio
Matrimônio! Matrimônio!
Isto é lá com Santo Antônio!
Implorei a São João
Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio
São João ficou zangado
São João só dá cartão
Com direito a batizado
Implorei a São João
Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio
Matrimônio! Matrimônio!
Isso é lá com Santo Antônio!
São João não me atendendo
A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso
Disse o velho num sorriso:
Minha gente, eu sou chaveiro!
Nunca fui casamenteiro!
São João não me atendendo
A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso
Matrimônio! Matrimônio!
Isso é lá com Santo Antônio
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