Infelizmente, os números de nossa economia referentes ao primeiro trimestre, confirmam o que comentamos há tempos: o PIB, nos três primeiros meses de 2014 ‘cresceu’ 0,2% quando comparado com o último trimestre de 2013, mas a inflação subiu às alturas (6,43%). Ao conviver em clima de incertezas, o trabalhador acabou ‘perdendo’ o jogo, vendo corroer-se sua renda e afetando sua confiança na economia,. E a gestão? E as políticas? Lembrei-me da Alice, aquela do país das maravilhas, quando pediu ajuda ao gato e este respondeu ‘para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve’. É o nosso caso. Parece que não sabemos para onde queremos ir, muito embora esteja claro para cada um de nós, cidadãos e trabalhadores, que o que (mais) queremos é desenvolvimento com justiça social. Para isso, de nada adianta políticas se não há articulação entre elas, não há objetivo claro a ser alcançado. Ao que parece, buscam-se objetivos particulares e pontuais. Foca-se o imponderável: a estimativa para o crescimento do PIB em 2014 está em 1,62%.
Com isso, gera-se pessimismo e configura-se ausência de confiança nas instituições econômicas. E não é para menos: entre este primeiro trimestre e o último de 2013, os investimentos caíram 2,1%, fazendo com que a participação no PIB não fosse além de 17,7%. Os serviços cresceram 0,4% no período, mas o setor não mostrou fôlego para dinamizar a economia. Por sua vez, o setor agrícola (soja, arroz, algodão) mostrou-se dinâmico ostentando crescimento de 3,6%. Da indústria, não temos o que falar. Perde participação a cada período. O saldo é desalentador: números pífios e resultados medíocres. O governo — com seus 39 ministérios — precisa trabalhar para reverter o quadro, revelar lógica nas decisões e articulação na condução da política econômica. Sobretudo, agir para restaurar confiança e possibilitar volta ao crescimento consistente.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP
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