Que a saúde pública no País se encontra em estado falimentar, não há dúvidas. Ao lado de centros de excelência, como Hospital Sírio-libanês, Fundação Boldrini, Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e Hospital do Câncer de Barretos, entre muitos outros, temos hospitais sucateados, sem equipamentos e leitos. Há casos em que pacientes são atendidos no chão de enfermarias lotadas, além da demora em receber atendimento básico e espera interminável por cirurgias mais simples. Muitas vezes, nem a morte de pacientes é capaz de fazer as autoridades constituídas buscarem soluções que revertam este quadro de penúria, descaso, abandono e falta de solidariedade humana.
Enquanto deputados e senadores continuam discutindo interminavelmente projetos que só beneficiam a eles mesmos, em busca de dividendos eleitorais ou até mesmo vantagens pessoais, o sistema público de saúde não recebe a atenção merecida. Aqui mesmo em Franca uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Câmara Municipal traz a cada oitiva fatos estarrecedores que só ganham repercussão em função do acompanhamento da imprensa. Não se vê, por parte dos demais integrantes da Câmara (além dos da CEI) qualquer preocupação com o assunto que interessa à maioria da população, que não tem plano de saúde e depende dos Prontos-socorros e unidades mantidas pela Prefeitura Municipal.
Percebe-se apenas que o assunto vem sendo acompanhado de perto quando mais uma morte ligada ao setor é registrada. Cidadãos indignados se manifestam através das redes sociais e cobram uma tomada de posição daqueles que receberam o mandato para defender os seus interesses. É incompreensível o mutismo do prefeito e de seus assessores diante de cinco mortes suspeitas, a falta de providências e a busca de soluções para não deixar a nossa população tão abandonada e sem perspectivas de ser bem atendida quando se trata de tratamento emergencial ou ambulatorial.
Agora, mais um caso coloca em xeque o gerenciamento do setor pela Secretaria Municipal de Saúde, que por seis anos foi comandada pelo atual prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). A morte do frentista Jean Carlos da Silva, 39, morador do Jardim Esmeralda, é um exemplo perverso do que o francano está sujeito. Ele morreu na manhã do último sábado, 31, após passar pelo pronto atendimento no dia anterior reclamando de dores no peito. O frentista ficou cerca de 6 horas no PS, período no qual passou por exames e recebeu medicação. O médico que o atendeu disse que ele estava sofrendo de ansiedade, o aconselhou a procurar um psicólogo, e deu alta. No dia seguinte, Jean Carlos morreu antes mesmo de receber atendimento na Santa Casa. O frentista deixa a esposa Karina grávida de cinco meses, além de outros dois filhos de 12 e 6 anos.
Diante de mais este caso, novamente a Prefeitura preferiu se calar, num mutismo incompreensível diante da gravidade dos fatos. Nem para se defender ou para apontar providências que estejam sendo tomadas. Apenas na noite de ontem, três dias após a morte, uma nota foi emitida afirmando que uma sindicância seria instaurada para apurar o caso. Tudo isso deixa a população francana insegura e temerosa de buscar socorro em unidades de saúde do município, pois não há garantias de que o atendimento, ainda que depois de horas de espera, seja correto.
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