A debandada de médicos da rede municipal de saúde, prevista pelo sindicato da categoria após o Ministério Público exigir que os profissionais cumpram parte do TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado com a Prefeitura, já começou a ser sentida em uma das maiores UBS (Unidade Básica de Saúde) da cidade. Dois dos quatro clínicos gerais que trabalhavam na unidade do Parque do Horto/Miramontes, que atende a uma população de cerca de 36 mil pessoas de 13 bairros da cidade, pediram demissão na semana passada. Ao todo, nove médicos da rede já haviam pedido demissão do dia 18 de maio até ontem.
O TAC assinado pelo município junto ao MP, para corrigir irregularidades como o esquema conhecido por “indústria de horas extras”, exige que os médicos trabalhem as horas já pagas irregularmente, ou devolvam o valor recebido por elas. A imposição contrariou a categoria. “Nenhum médico está disposto a trabalhar desse tanto pelo salário que a Prefeitura paga. Fomos colocados como culpados nessa situação toda, e isso deixa os médicos insatisfeitos em cumprir sua função. Acredito ser possível acontecer uma demissão em massa.”, disse o presidente do Sindicato dos Médicos de Franca, Marco Aurélio Piacesi, durante reunião da classe no último dia 26 de maio.
Na UBS do Horto, que recebe 650 pessoas todos os dias, os problemas já aparecem. Para a usuária do serviço Maria Paula da Silva, 44, que está desempregada, a ausência dos médicos está causando inconvenientes “Meu retorno era hoje, mas o médico que me atenderia, pediu demissão. A moça conseguiu me encaixar para mostrar um exame no dia 26 (de julho) com outro médico”, reclamou. A pespontadeira ¶ngela Neta de Souza, 40, passou ontem por consulta com o clínico geral que havia marcado há dois meses. “É muito tempo. Quando tenho urgência vou para o Pronto-socorro porque não dá pra esperar”, disse.
Mais desfalques
Médico ginecologista é outro profissional bastante procurado pelas pacientes da UBS do Parque do Horto, mas, atualmente, apenas dois especialistas estão atendendo na unidade. O terceiro ginecologista do local está afastado por problemas de saúde desde o início do ano. “Hoje cheguei umas 10 horas para tentar marcar consulta com o ginecologista mas já não tinha mais vaga. Mandaram eu voltar na terça que vem, mas se eu quiser conseguir sei que vou ter que madrugar aqui.”, disse a pespontadeira Odete Isodeli Ferro, 45, que mora no Cambuí, um dos 13 bairros atendidos pela UBS do Horto.
A coladeira de peças Elaine Cristina Rocha só conseguiu consulta ontem para sua filha de 11 anos, após outro médico constatar a seriedade do caso da garota. “Minha menina está com muito sangramento. Fui na Secretaria de Saúde, mas conseguiram só para o dia 26 de junho. Minha sorte foi que passamos por consulta com a pediatra ontem. Ela viu que era sério e conseguiu encaixe para hoje”.
O Comércio ligou ontem para a secretária de Saúde, Rosane Moscardini, mas ela não atendeu ao celular. A secretária de Rosane orientou a reportagem a enviar as perguntas (sobre a previsão de reposição de médicos) para o email do gabinete da Saúde. Isso feito, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
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