Em 2013, conforme o Sistema de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, tivemos no Brasil 56.337 assassinatos, 29 mortos para cada 100 mil brasileiros. A Organização Mundial da Saúde considera aceitável no máximo 10 mortes. A França tem 1,1; Portugal, 1,2; Estados Unidos 4,2; Noruega, 0,6. É necessário olhar nossos números com desconfiança. Há suspeitas de que estejam maquiados pelos governos estaduais. Podem ser consideravelmente maiores. Conforme relatório da ONU, América Latina e Caribe — população estimada em 600 milhões de pessoas — são assassinadas 100 mil pessoas por ano. O Brasil, com um terço dos 600 milhões responde por mais da metade.
É assim que se mede a violência, mortes a cada 100 mil habitantes. Desse modo é possível comparar um estado com 30 milhões de habitantes com outro com 2 milhões. Enquanto Santa Catarina tem 12,8 mortos por 100 mil, São Paulo tem 15,1; Rio, 28,3: Bahia, 41,9; Pará, 41,7; Ceará, 44,6; e Alagoas, 63,3! Tudo se dá num cenário em que, ao menos em teoria, milhões saíram da pobreza para a ‘classe média’ que o governo criou. Cai a pobreza e a violência sobe.
Vou mexer num vespeiro. Os dois estados brasileiros com índices mais baixos são Santa Catarina com 12,8, e São Paulo com 15,1. O que acontece nesses Estados que não acontece nos outros? Será porque São Paulo é o Estado que mais prende? Segundo o Anuário de Segurança Pública, São Paulo tem 633,1 presos por 100 mil habitantes com mais de 18 anos. No Rio, a taxa é de 281,5 presos. A Bahia prende 134,6.
Em 1980 a taxa era de 11,7 para cada 100 mil. O governo de Fernando Henrique entregou em 2002 o índice de 28,5; o governo do PT começou com 28,9 em 2003 e bateu recorde com 29 em 2013. O descontrole da violência é obra de todos os governos desde a redemocratização. Nenhum, seja do PMDB, PRN, PSDB ou PT, de esquerda ou “neoliberal”, progressista ou conservador, de ‘direita’ ou de esquerda conseguiu ganhar essa guerra. Se este assunto não é prioritário, não sei o que pode ser. Boa Copa.
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista
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