Preocupação constante


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Vinte e três anos depois da primeira apreensão de crack em São Paulo, a droga se tornou um dos maiores motivadores da violência em todo o País e o Estado de São Paulo não fica imune ao seu flagelo. Subproduto sujo e barato da cocaína, a droga que deve seu nome aos estalos que emite ao ser queimada está disseminada também nos pequenos e médios municípios, como demonstra mapeamento realizado pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios), atualizado em tempo real pelas prefeituras de todo o País. O enfrentamento ao problema é um dos principais desafios das pequenas e médias cidades: a maioria não conta com qualquer programa de combate ou conta com verbas (federais, estaduais ou próprias) para tratamento dos usuários.
 
Governos estadual e federal estimam entre 350 mil e 400 mil usuários de crack em São Paulo. O trabalho da CNM mostra que 194 cidades paulistas declararam ter alto nível de problema decorrente do consumo de crack -- quase um terço dos 645 municípios do Estado. Infelizmente, ainda não se sabe qual o comprometimento do uso da droga em Franca. O ‘Observatório do Crack’, criado pela entidade para o acompanhamento, mostra que a Prefeitura não enviou qualquer dado. Porém, conforme o mapa atualizado em tempo real, a maior parte dos municípios de nossa região registra nível alto de problemas relacionados à circulação de crack. São cidades como São Joaquim da Barra, Guará, Batatais, Aramina, Patrocínio Paulista e vários outros. Em razão das ocorrências policiais envolvendo consumo do crack, só podemos concluir que Franca também deve estar no mesmo rol.
 
De acordo com o mapeamento, a droga virou praga em municípios como Águas de Lindoia e Serra Negra (estâncias hidrominerais), Campos do Jordão (a ‘Suíça brasileira’), Ilhabela (reduto turístico no litoral norte) e Cananeia (patrimônio da humanidade). O crack afeta também cidades-referência, como Ibitinga (a capital do bordado), Monte Alegre do Sul (a capital do morango) e Louveira (2º maior PIB per capita do País). Ou seja, tornou-se um dos mais graves problemas junto à população do Interior do Estado, envolvendo principalmente os mais jovens (muitos entre 10 e 14 anos) e não poupando integrante de qualquer faixa de renda: atinge as classes mais baixas, a média e até a de maior poder aquisitivo. Por causa da falta de programas oficiais, somente estes últimos têm condições de buscar a recuperação.
 
Com números divergentes e programas incipientes, o Poder Público ainda não enfrenta como se deve este flagelo que impacta todos os setores da sociedade. As iniciativas ainda engatinham. Embora muitas cidades contem com um CAPs (Centro de Atendimento Psicossocial), a atenção principal ainda continua sendo o tratamento ao tabagismo e ao alcoolismo. Como o crack exige uma internação para resultados mais efetivos, pouco se faz neste sentido. A situação precisa mudar. E rápido. Do contrário, estaremos diante de um problema insolúvel dentro de pouco tempo.
 
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