Indústria de Franca mira parceria com Rondônia para produzir couros


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O senador Valdir Raupp concede entrevista no aeroporto de Franca, observado pelo presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão
O senador Valdir Raupp concede entrevista no aeroporto de Franca, observado pelo presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão
O senador por Rondônia, Valdir Raupp, presidente nacional do PMDB, veio a Franca se reunir com calçadistas ontem. O Estado, que produz 2,2 milhões de peles de couro por ano, pretende firmar parcerias com empresas locais. Em princípio, a ideia é fornecer wet blue (estágio primário de processamento). Em seguida, seriam feitos o fornecimento do produto acabado e a produção de cabedais. Para atrair fábricas da cidade, Rondônia promete investir em tecnologia e oferecer incentivos fiscais.
 
Valdir Raupp participou de reunião no Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca), conheceu a produção da Free Way e as instalações do Sesi e do Senai. Ele disse que o Estado de Rondônia é grande produtor de matéria-prima. “Temos 12 milhões de cabeças de gado, rebanho maior do que o do Uruguai. Toda a matéria-prima sai para outros centros e para fora do País. Queremos estabelecer parceria com empresas de Franca.”
 
A oferta do produto, gente disposta a trabalhar e incentivos são os trunfos apresentados pelo senador para que os empresários de Franca se convençam a fazer negócios em Rondônia. “Temos mão de obra sobrando no Estado e os incentivos fiscais por estar na Amazônia Ocidental, que são iguais aos da Zona Franca. É uma possibilidade, não de tirar empregos de Franca e, sim, de agregar mais empregos aqui trazendo matéria-prima barata. Quem sabe, no futuro, poderemos levar indústrias para produzir cabedais em Rondônia.”
 
O senador convidou empresários de Franca para conhecer o seu Estado e as feiras agropecuárias que são realizadas em Rondônia. “Acredito que, após as eleições, possamos avançar com este projeto de trocas de ideias e firmar a parceria.”
 
O presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, disse estar otimista com a possibilidade de abrir mercado de negócio com Rondônia. Para ele, a parceria poderia minimizar o problema da falta e do elevado preço da matéria-prima. “O desabastecimento do couro no mercado nacional preocupa. Estamos exportando mais de 95% da produção nacional. Sobra para o Brasil cerca de 3 milhões de pele. Só Franca consome mais de 2 milhões de pele.”
 
Brigagão disse que o polo produtor de Cacol, no interior do Estado de Rondônia, produz apenas o couro no estágio wet blue, não tem o setor de acabamento. A eventual parceria prevê a participação das empresas de Franca nas demais etapas de produção. “No começo, eles forneceriam o wet blue para Franca. Depois, a intenção é montar indústrias de acabamento de couro lá. Futuramente, poderemos produzir cabedais em Rondônia em vez de importar da China.”
 
Preço salgado
O aumento das exportações de couro preocupam os calçadistas de Franca. Empresários do setor afirmam que há escassez da matéria-prima, aumento de preços e desabastecimento no mercado interno. O assunto foi tema de reunião na cidade, em março, com a participação de líderes nacionais do segmento. 
 
Com demanda crescente no exterior, o preço do couro interno encareceu mais de 30% nos últimos meses. Diante desse aumento, os calçadistas alegam que tiveram de reduzir seu faturamento e passaram até a ter dificuldade de encontrar o produto.

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