Aos 66 anos, Wagner Voss de Menezes deixa de luto as artes francanas


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Wagner Voss, o Rengaw, será sepultado hoje, 9 horas, no Cemitério da Saudade
Wagner Voss, o Rengaw, será sepultado hoje, 9 horas, no Cemitério da Saudade
Morreu às 10h30 de ontem, 2 de junho, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Joaquim de Franca, o conhecido artista plástico francano, Wagner Voss de Menezes. Foi vencido por câncer detectado entre o final do ano passado e início deste, na região intestinal. Ao longo deste ano, submeteu-se a duas cirurgias e enfrentou várias internações, a última, de 10 dias.
 
Tinha 66 anos. Era francano, filho do casal Verdi Voss de Menezes e Adair Fontanezzi. Deixou viúva Maria do Carmo Damando de Menezes, com quem teve três filhos, Verdi Júnior, Ana Paula, casada com Hélio de Souza; e Rafaela. Foi, por muitos anos, gráfico de talento, um formista (como se dizia em seu tempo, aquele que preparava as composições, letra a letra, para a impressão), trabalhando na Gráfica Pucci. Do pai, herdou a veia artística, esta sim, a embalar sua vida nas entrelinhas do trabalho profissional.
 
Wagner foi diretor da Pinacoteca Municipal de Franca em vários momentos das gestões do ex-prefeito Sidnei Rocha. Na ocasião em que a Feac (Fundação Municipal para o Esporte, Arte e Cultura), sediou-se na casa onde residiu o pintor Bonaventura Cariolatto (de quem foi amigo), Wagner deu origem à recuperação do ateliê de pintura, cadastramento e sistematização das obras do artista. Quem com Wagner trabalhou, invariavelmente o definiu como um ‘manancial de ideias tornadas práticas pela velocidade com a qual vivia e pela dedicação a atividades artísticas’. Mantinha longas jornadas que não se limitavam ao trabalho comissionado que exerceu na prefeitura de Franca. ‘Estava sempre em busca de algo mais’, disse Reginaldo Emídio, que foi presidente da Feac. Baseiam-se os amigos também nas incursões de Wagner à redação de textos para teatro (seu monólogo Quando no horizonte brilhar o sonho de nossos dias recebeu citações honrosas de jurados de Festivais de Monólogos locais e estaduais), composição de textos (publicou, em meados de 2011, a coletânea de contos O resultado de uma espera), à atuação como ator (fez parte de grupos que produziram, encenaram e atuaram em Transe, de Ronald Radde; Ascensão e queda da cidade de Mahagonny, de Bertolt Brecht; e Choque das Raças, de Hamilton Saraiva, apresentadas em festivais municipais e estaduais de teatro), e ainda, na pintura e escultura, assinando sempre com seu codinome, ou seu nome ao avesso, Rengaw.
 
Em Franca, durante o período em que atuou na Feac, criou o Troféu Amigos da Arte, homenageando mecenas e cidadãos comuns que, de alguma forma, contribuiam para que a arte, em todas as suas vertentes, pudesse ser apresentada à população. O troféu, ele próprio os esculpia em pedra-sabão. Depois de deixar a Feac, uniu-se ao Ateliê Arte Deco’z, e continuou atuante. Era comum, até poucas semanas, receber dele e-mails sobre as atividades que organizava. Reginaldo Emídio, companheiro de peças de teatro e vários festivais, recebeu dele, em presente, a coleção de óleos sobre tela que Rengaw chamava de ‘olhar sobre o calçado francano’, baseada em personagens altos, disformes, inseridos em cenários apocalípticos, seis quadros, sequentes, ‘o muar que pasta’, ‘o couro que curte’, ‘a fábrica que fabrica’, ‘a loja que pulveriza’ e ‘o calçado que anda’, que se soma a ‘incontáveis obras dele que estão aqui e ali, e que um dia, sistematizadas, proclamarão Rengaw mais um dos grandes artistas francanos que devemos cultuar’.
 
O velório está acontecendo no São Vicente de Paulo, sala 1. O sepultamento ocorrerá às 9 horas de hoje, terça-feira, no Cemitério da Saudade. 

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