Eduardo Henrique Accioly Campos é um nome pouco conhecido em Franca. No sul e sudeste também. Mas, provavelmente, vamos ouvir falar muito deste nordestino nos próximos meses. O economista e político de 48 anos tem percorrido o país para se apresentar aos eleitores. Pretende desbancar Dilma Rousseff (PT) do poder e ser o próximo presidente da República. Os dois, ao lado de Aécio Neves (PSDB), vão polarizar as eleições presidenciais.
Se para a maioria do povo brasileiro Campos é uma cara nova, ele é rei em Pernambuco. Promete desequilibrar a hegemonia do PT na região nordeste. O currículo eleitoral o credencia. Foi deputado estadual e federal, além de ministro durante o governo Lula. Seguiu os passos do avô Miguel Arraes e governou Pernambuco por duas vezes. Na primeira disputa, em 2006, começou a corrida nas últimas colocações com 4% das intenções de votos. “Venci com 65%. Os adversários tomaram um susto, pois eu não tinha estrutura.” Foi reeleito com 83%. “Nunca no Brasil alguém teve um percentual maior na reeleição.”
Foi considerado em 2009 pela revista Época como um dos cem brasileiros mais influentes. Ocupou o primeiro lugar no ranking de governadores feito pelo Instituto Datafolha por duas vezes. Presidente nacional do PSB, Campos deixou o cargo de governador em abril de olho nas eleições. É o pré-candidato do partido na chapa que terá Marina Silva como vice.
Quinta-feira, ele veio a Franca pela segunda vez. Se reuniu com lideranças políticas, funcionários e empresários calçadistas. Durante visita ao GCN, falou sobre seus planos.
O que o diferencia dos concorrentes? Por que os eleitores de Franca e região devem votar no senhor?
Estamos propondo um caminho para que o Brasil possa se unir em torno de uma pauta de mudanças. Os dois pólos que estão postos na disputa há 20 anos, o PT e o PSDB, já governaram o Brasil. Fizeram coisas boas e erraram também. Agora, em vez de dividir o Brasil, é preciso unir em torno de uma agenda de desenvolvimento e crescimento econômico. Estou em Franca pelo respeito que tenho pela cidade. A região precisa ter, por parte do governo federal, um olhar mais presente. O interior do Brasil necessita ter apoio para gerar oportunidades de trabalho e desenvolvimento para a população. O que nos diferencia é que nós vamos operar uma mudança na política em Brasília. As duas outras forças estão cercadas do fisiologismo, patrimonialismo, das políticas atrasadas e das velhas raposas que sempre estiveram por perto deles. Eu e a Marina Silva somos a opção para quem quer aposentar as velhas raposas tipo José Sarney e Fernando Collor, que em nosso governo, vão para a oposição. Se a gente não renovar a política, não vai conseguir dar jeito no Brasil. Enquanto eles ficarem dominando e cercando os governos que se estabelecem, a gente terá enorme dificuldade de fazer com que o governo de Brasília enxergue o Brasil real. Somos a opção para o Brasil sair do caminho errado que tomou, sobretudo, no governo Dilma, com baixo crescimento, inflação de volta e juros altos.
O senhor foi um antigo aliado do PT. Foi ministro de Ciência e Tecnologia no governo Lula. Por que, hoje, critica o governo que integrou?
Participamos, sim, do primeiro governo do presidente Lula. A Marina também foi ministra (Meio Ambiente). Entendemos que o Lula soube manter os acertos da condução macroeconômica que vinha do governo do Fernando Henrique (PSDB) e corrigir rumos. Fez com que o Brasil tivesse avanços importantes. Saímos porque o governo começou a tomar um caminho que não era, exatamente, o de compromisso com o povo. O governo freou o desenvolvimento, encolheu a indústria, deixou a inflação corroer fortemente o rendimento dos trabalhadores e permitiu os juros atingirem os mais elevados patamares do mundo. Na hora que o governo descumpriu os compromissos que tinha com o povo, a gente tinha uma escolha a fazer: Ficava entregue ao governo ou ficava com a sociedade. Entregamos a participação que tínhamos no governo e fomos juntar forças para oferecer uma alternativa do Brasil voltar a melhorar. O Brasil parou de melhorar no governo da Dilma. Ela jogou fora uma oportunidade que foi dada a ela na eleição. Depois, o povo, nas manifestações de junho, deu a ela uma segunda chance para fazer o caminho certo e ela jogou fora duas oportunidades. Estamos criando uma oportunidade para a sociedade mudar o Brasil para melhor.
O senhor é o candidato menos conhecido, o que tem menos estrutura e o menor tempo de TV entre os que centralizam a disputa para presidente. Como vai fazer para convencer os eleitores que é a melhor opção?
Vamos contando com o apoio daqueles que querem mudar o Brasil. A gente começa mudar o Brasil já na campanha. Quando percebemos uma campanha cheia de tempo de televisão, cheia de recursos e estrutura, é sinal de que teremos um governo comprometido com aquela grana e com um monte de políticos que querem manter seus privilégios. Vamos fazer uma campanha pé no chão, com grande militância nas redes sociais, na juventude, nas pessoas que percebem que chegou a hora da mudança. É muito mais difícil porque é uma campanha sem os recursos que os outros têm, mas temos o que eles não têm, que são as melhores ideias, as melhores pessoas e a melhor energia, que é a energia da mudança para melhor, para o futuro.
O senhor vem do principal reduto eleitoral do PT, onde a presidente Dilma teve 12 milhões de votos em 2010. Qual a fórmula para conquistar o território petista?
Sou do nordeste, região que foi responsável basicamente pela eleição da presidente Dilma. Se pegarmos os votos do norte e nordeste é praticamente a diferença que ela colocou sobre o Serra (PSDB). Se a eleição tivesse se dado no sul, sudeste e centro-oeste ela seria, literalmente, empate. Conheço este região como a palma da minha mão. Governei o Estado de Pernambuco por duas vezes. Fui o governador reeleito com maior percentual de votos da história do Brasil com 83% dos votos. Enfrentei o PT em 2006 para chegar ao governo, quando o PT tinha muito mais força do que tem hoje. Ganhei. Sei como fazer esta disputa. Em 2012, enfrentamos o PT e o PSDB e ganhamos no primeiro turno. Este tipo de enfrentamento, sei como fazer. Ao perceberem que o jogo está em ganhar a eleição no nordeste, as pessoas começam a me ajudar a me tornar mais conhecido em São Paulo, no sul e no centro-oeste. O desejo de mudança tem aproximado de nossa candidatura vários setores da sociedade Brasil afora. O caminho mais seguro é mudar com alguém que possa vencer onde eles venceram as eleições de 2010. Os números já começam a indicar, claramente, o quanto temos uma posição diferenciada no nordeste. Não tem como ganhar as eleições se não ganhar no nordeste.
A presidente Dilma disse durante jantar com lideranças do PMDB, na terça-feira, que tem duas candidaturas em São Paulo, se referindo a Alexandre Padilha (PT) e Paulo Skaf (PMDB). Seria uma estratégia para evitar que Geraldo Alckmin (PSDB) seja reeleito no primeiro turno. A afirmação é um indicativo que o PSB estará no mesmo palanque que Alckmin?
Na verdade, a nossa posição não vai ser balizada pela posição de nossos adversários. A presidente está colocando algo em relação a um quadro que sequer ela escolheu. Este quadro formou-se independentemente da vontade dela. No nosso campo político, o PSB, Rede, PPS, PPL, PHS e PRP, estamos discutindo o quadro de São Paulo neste momento. Não há ainda consenso entre nossa posição. Temos prazo até as convenções para tomar nosso rumo. Avaliamos a possibilidade de candidatura própria.
Na visita a Franca, o senhor foi à uma fábrica de calçados e conversou com trabalhadores e empresários. O que ouviu e o que pretende fazer?
Tenho feito, ao lado de Marina, visitas às principais cidades brasileiras. Por isto, vim a Franca ouvir sugestões, que serão inseridas no nosso plano de governo. Um dos setores que mais sofreram no Brasil nos últimos anos e vem procurando se reequilibrar é o setor de calçados, que tem grande expressão em vários Estados. É um setor intensivo em mão de obra. Tudo o que precisamos no Brasil é preservar os postos de trabalho. Temos capacidade instalada para não estar exportando renda e importando sapato, desde que a gente apoie, fomente, incentive, tire carga tributária, ajude no esforço exportador, que foi tão significativo e que hoje, basicamente, vive do mercado interno. Queremos priorizar este setor, como outros fortemente empregadores, como o da confecção. Ouvimos os empreendedores em relação à simplificação dos tributos, incentivo ao crédito, logística, redução da burocracia para exportação e capacitação. Serei um presidente da República amigo da indústria calçadista do Brasil porque sei o que ela passou. Quem ficou em pé teve muita capacidade. Sei de quantos empregos foram derretidos em Franca, de quantas empresas fecharam suas portas ao longo dos últimos 15 anos.
O candidato vem à cidade, faz promessas e quando eleito se distancia. Qual o compromisso do senhor de que, desta vez, será diferente?
Franca é uma cidade que se ressente de um olhar mais atencioso do governo, que enxerga outras regiões, mas não olha aqui. Franca terá um presidente da República amigo de sua história, que terá respeito por esta cidade, por seu povo. Quero voltar como presidente para mostrar que uma decisão política faz a diferença na vida de milhares de pessoas, para que a gente possa fazer o que muitos poderiam ter feito e não fizeram por não ter este tipo de compromisso. O compromisso que tenho vem do tipo de eleição que estamos vivendo: a nossa eleição será fruto da atitude de homens e mulheres que querem mudança, ela será devida ao povo brasileiro, às pessoas simples, como as de Franca, que fazem no dia-a-dia esta cidade e, não à estrutura como os outros têm. Me sentirei devedor da atenção do povo de Franca e do povo brasileiro. Por isto, fiquem certos de que estarei aqui muitas vezes como presidente da República para fazer com que Franca tenha dias melhores para o trabalho e, sobretudo, para viver.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.