Quem circula pela avenida Brasil não imagina que nos fundos de uma loja católica naquela região existe uma fábrica de santos. Fazer, restaurar e até criar novas imagens religiosas é a profissão de Maurício Olímpio da Silva, 50, artesão e dono da loja em Franca.
O próprio dono do comércio é seu principal fornecedor. A mercadoria ali produzida está a poucos metros dos clientes na loja, mas também percorre quilômetros para ser comercializada em outras cidades do país.
O gosto de Maurício pelas imagens religiosas é antigo e o acompanha desde sua infância em São Sebastião do Paraíso (MG). “Com sete anos já pegava barro de um monte de cor na represa perto da minha casa para fazer bonequinhos. Colocava eles no forno na minha mãe para assar e você nem imagina a reação dela ao abrir o forno e encontrar um monte de barro lá dentro”, relembra.
Mas confeccionar as imagens não foram a primeira opção de Maurício para ganhar a vida. O comerciante serviu ao exército e chegou a se formar no curso de educação física antes de montar sua loja, há 18 anos. “Só fui me encontrar quando montei meu negócio e passei a fazer o artesanato. Também fiz diversos cursos para me aperfeiçoar.”
Maurício produz as imagens em um barracão nos fundos de sua loja, enquanto sua mulher Rosane Davis Silva recebe os clientes. O artesão conta que a imagem de Nossa Senhora Aparecida é a que ele mais fábrica, porém a demanda depende da época do ano. “Em junho, por exemplo, a procura pelo Santo Antônio é enorme”, comenta Maurício sobre o santo casamenteiro que tem o dia comemorado em 13 de junho.
Fábrica de santos
São José, Jesus Cristo e até o Santo Papa João Paulo II nascem no barracão de Maurício. O local é simples e repleto de imagens ainda brancas do gesso com o qual são produzidas e de peças já coloridas. “Meu ateliê é bagunçado e cheira gesso, mas não tem como um ateliê ser diferente”, disse o artesão, que trabalha com o auxílio de um funcionário.
Os “fazedores de santos” moldam a imagem manualmente com gesso. A partir do molde, é feita uma forma de silicone de onde sairão os lotes de santos. “Quem olha a forma por fora, que aparenta apenas uma silhueta, não sabe que aquele pedaço de silicone esconde um santo com todos seus detalhes. Depois fazemos a pintura por etapas. É um trabalho bastante manual, bem artístico mesmo”, disse Maurício, que chega a produzir 600 peças por mês. “Fazemos as imagens por pedido ou demanda da loja. Mês passado fizemos seis centenas de imagens de dez centímetros da Santa Faustina em 30 dias para atender a um pedido.”
Criador de Santos
As habilidades de Maurício com as imagens sagradas não ficam só na produção e no reparo. O artesão também cria imagens novas. Atualmente já existem três imagens no mercado de sua autoria: a de São Crispim Sapateiro; a de Santa Faustina e a de Santa Gianna. “Meu primeiro desafio foi criar a imagem de São Crispim. O pároco da igreja que leva o nome do santo, na época, me contou que só tinha o desenho dele e pediu para eu criar a imagem. Depois me passaram o material com informações para fazer Santa Gianna. A última foi a Santa Faustina”, disse Maurício, que comentou ainda que, depois de pronta, a imagem deve passar pela aprovação de um bispo para ser comercializada. “Faço pesquisas para poder criá-las.”
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Comentários
1 Comentários
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Orestes Monteiro de Melo 05/05/2023Muito interessante o trabalho do senhor Maurício Olímpio como artesão Sacro. Tem como conseguir o contato dele para adquirir seus produtos? Obrigado.