Um país que pretende estar entre as grandes potências mundiais precisa investir em educação básica e, principalmente, em ciência e tecnologia. Só assim não ficará à mercê da importação de técnicas e profissionais das nações mais desenvolvidas.
Um ponto positivo nesse sentido, é o crescimento da educação superior no país. Em 2002, quase 2,5 milhões de pessoas se matricularam nas universidades, centros universitários e faculdades.
Esse número passou para 5,14 milhões em 2012. O curioso é que em 2002, universidades detinham o maior número de alunos. Dez anos depois a tendência se inverteu. A maioria dos estudantes estava matriculada em centros universitários ou faculdades, instituições de menor porte, que não têm obrigação de desenvolvimento de pesquisa e extensão. São espaços mais ligados à formação profissional, sem a pretensão de ampliar novos conhecimentos.
A expansão dessas unidades permitiu maior ‘democratização’ do ensino superior, pois incentivou o acesso de classes com menor poder aquisitivo ao ensino superior.
Sem a necessidade de amplos laboratórios e equipamentos específicos, essas faculdades podem praticar mensalidades mais acessíveis, atraindo interessados.
Os alunos mais carentes ganharam condições eficazes de inclusão com os programas federais do Prouni (bolsa para alunos de baixa renda) e com o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).
Esses programas também permitiram a manutenção da saúde financeira das instituições, já que, pelo Prouni, as escolas particulares têm isenções fiscais, e pelo Fies, reduz-se o risco de inadimplência.
Ter mais jovens em cursos de graduação é salutar para o desenvolvimento do país, mas as instituições precisam investir na qualidade dos cursos para a formação de profissionais cada vez mais qualificados, que possam contribuir, de forma decisiva, para o crescimento econômico e social da nação.
Luiz Gonzaga Bertelli
Presidente do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola)
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