Causou-nos estranheza a sentença de um juiz que deixou de autorizar a providência pleiteada, justificando que doutrinas que a requeriam não eram religiões.
Segundo prolatou aquele magistrado, religiões são aquelas que, além de ensinar a crença em Deus, adotam rituais, cerimônias, hierarquia sacerdotal...
Etimologicamente, religião, que vem do Latim religare, significa religação. Ação de religar, ou religar-se a criatura, à fonte que a originou. Por conseguinte, todas e quaisquer doutrinas que pregam princípios moralmente evolutivos, estão religando.
A sabedoria estabeleceu o ‘campo’, ou plano diretor, captado pelas divisões segmentadas do conhecimento humano, como recurso ‘didático’ para melhor entendermos que precisamos estar a caminho da religação. Se, por exemplo, a ciência (e é um impositivo da Física Quântica) chegar à conclusão de que há um plano universal que movimenta a evolução de tudo, eis que estará promovendo a religação, e onde estão o ritual, a cerimônia, a hierarquia sacerdotal?
O personagem central das crenças ocidentais jamais falou de ritual, cerimônias ou hierarquias, mas, observou: ‘Os meus discípulos se conhecerão por muito se amarem.’ Vê-se que o fator religador ensinado por Jesus é o amor.
Acresce-se, por oportuno, que a obra Evolução Espontânea, não espírita, mas com definidos fundamentos espiritualistas, dos americanos Bruce H. Lipton e Steve Bharemen, transcreve, na página 310, da 1ª edição (Butterfly), interessante asserção do escritor político inglês David Edwards, no seu livro Queimando toda ilusão. ‘Para ele - dizem -, religare significa resgatar a união do indivíduo com a sociedade, com o mundo e com o cosmos...’ ideia que guarda conexão com os conceitos da Doutrina Espírita e, por conseguinte, com a mensagem do Cristo.
Imperioso que se tome a decisão da autoridade judicial como ainda presa a um formalismo que exprime culto exterior.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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