O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de apenas 0,2% no primeiro trimestre do ano, divulgado ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), causa grande preocupação. A economia brasileira mostra uma estagnação que nem o mais pessimista poderia esperar. Especialistas acreditavam em baixo crescimento neste ano, mas não um freio tão grande como agora. Os demais indicadores apontam para um recuo que podem deixar o PIB menor ainda do que o esperado para o final deste ano. O governo tenta demonstrar otimismo, como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ontem.
Mantega não ousa admitir o total esgotamento do modelo adotado pela equipe econômica do Planalto. A política de desonerações para ampliar o consumo não está mais dando certo. Principal motivador da nossa economia nos últimos anos, o consumo das famílias recuou pela primeira vez em nove trimestres — retração de 0,1% de janeiro a março em relação ao quarto trimestre de 2013. Com inflação em alta, maiores restrições de crédito e maior nível de endividamento, inicia-se uma tendência preocupante para a manutenção do baixo crescimento do País nos próximos meses.
Economistas apontam: há tempos não se via um consumo negativo. Flávio Serrano, economista-sênior do Besi (Espírito Santo Investment Bank), afirma que “não se observa uma possibilidade de alteração significativa nesse quadro, o que diminui a chance de um número positivo do PIB em 2014”. Além disso, a taxa de poupança (economia de empresas, famílias e governo) de 12,7% nos primeiros três meses do ano ante 13,7% no mesmo período do ano passado é a menor para primeiros trimestres da série histórica (desde 2000) apresentada pelo IBGE.
Para completar o quadro, outro pilar que segura a expansão está cada vez mais fraco. A taxa de investimento em relação ao PIB de 17,7% no primeiro trimestre de 2014 (ante 18,2% no trimestre anterior) é a menor do governo Dilma Rousseff, que durante o período das eleições prometia uma relação investimento/PIB de 25%. Quando ela iniciou o governo a taxa era de 19,5%. Tudo isso mostra que nossa economia está estagnada e não há qualquer indicativo de que melhore. Agora, Guido Mantega aventa a possibilidade de que a Copa do Mundo será capaz de modificar o quadro atual. Isto é jogar com o imponderável e tentar ignorar os índices cada vez mais negativos dos últimos meses.
Num ano em que busca a reeleição, cabe a Dilma Rousseff redefinir a política econômica e a forma como tem sido gerida. É necessária uma mudança radical nos seus rumos, ampliando os incentivos ao investimento. O setor produtivo nacional precisa ser estimulado, de forma que crie empregos e acelere a produção. Só assim, poderá reduzir seus preços em condições de competir com os produtos importados no mercado interno e externo. Até as exportações registram números pífios que precisam ser revertidos. Do contrário, o crescimento continuará sendo freado, refletindo nos bolsos de todos, trabalhadores e empresários, e inclusive nas próprias pretensões eleitorais da presidente Dilma.
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