Morreu na madrugada de ontem, a criança de dois anos atacada por um cão da raça rottweiler. O acidente ocorreu, no início da tarde de quarta-feira, na Fazenda Santa Rosa, Zona Rural de Patrocínio Paulista. Em estado grave, Luiz Guilherme de Souza Oliveira foi socorrido pelo filho do proprietário. A mãe Maisa Cristiane de Souza Benuti, e uma amiga da família, Sônia Aparecida Soares Lazoti, acompanharam o socorro. Atendido no Pronto-Socorro Municipal de Patrocínio, o menino foi imediatamente transferido para a Santa Casa de Franca. Internado no CTI (Centro de Terapia Intensiva), ele não resistiu aos ferimentos.
O investigador Marcos Reginaldo Silva, lotado no 1º Distrito Policial de Franca, foi acionado pelo hospital de Franca para registrar a ocorrência. Em contato com Maisa e Sônia, ele apurou que o ataque do animal ocorreu na casa sede da fazenda, de propriedade de Augusto David Jacomini, 56, que reside em Jardinópolis (SP). As mulheres foram ao local para fazer faxina. Maisa levou o filho. No momento em que Luiz Guilherme agachou para pegar uma corda, foi surpreendido e atacado por Baruque, nome do cachorro da raça rottweiler de propriedade da família Jacomini.
Na tentativa de defender a criança, a amiga da família, Sônia Lazoti, acabou mordida no dedo anelar da mão esquerda. A mãe também foi ferida, mas levemente. Com lesões graves na região das costas e cabeça, a criança foi socorrida pelo filho do proprietário da fazenda, que não teve o nome divulgado. Ontem, por volta das 5 horas da madrugada, os médicos que acompanhavam o caso constataram a morte de Luís Guilherme.
O Pronto-Socorro de Patrocínio não comunicou a polícia da cidade e o caso foi registrado apenas no 1º DP de Franca. O animal, segundo apurou a polícia, não tinha comportamento agressivo e já estava na propriedade há cerca de um ano. Na quarta-feira, logo após a internação em Franca, mãe e amiga, que residem na fazenda, confirmaram ao investigador Marcos Reginaldo que não havia ocorrido nenhum ataque de Baruque à qualquer outra pessoa.
Silêncio no velório
O garoto Luiz Guilherme foi sepultado no final da tarde de ontem no Cemitério Municipal de São Tomás de Aquino (MG). Profissionais da imprensa foram proibidos de entrar no velório por um homem que se apresentou como advogado e identificou como Juliano Pacheco. Ele declarou que a família não iria falar sobre o ocorrido e também não respondeu às perguntas da imprensa. Do lado de fora, amigos, familiares e colegas de trabalho dos pais do menino também mantiveram silêncio.
O delegado Marcelo Rodrigues, que responde por Patrocínio, informou que será aberto um inquérito para apurar as responsabilidades do proprietário da fazenda. “Ele pode ser até indiciado por homicídio culposo, que é quando não há intenção de matar”, disse Rodrigues. Ele confirmou que um veterinário da Prefeitura da cidade esteve na fazenda, constatou que as vacinas do animal estão em dia e determinou que o mesmo fosse isolado por dez dias para observação.
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