O presidente do Sindicato dos Médicos de Franca, Marco Aurélio Piacesi, criticou ontem, 29, a postura do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) que desafiou os médicos da rede municipal a pedirem demissão em massa. A declaração do chefe do Executivo ocorreu na tarde de quarta-feira, 28, durante lançamento de um pacote de medidas para tentar melhorar o atendimento público de Saúde. Segundo Piacesi, o ataque de Ferreira foi “deselegante e antiético” e feriu a classe médica.
Em reunião na noite da última segunda-feira, 26, os médicos decidiram que não fariam mais horas extras a partir de ontem para mostrar ao Ministério Público que as horas excessivas de trabalho ocorrem não por opção dos servidores, mas sim por solicitação da Secretaria Municipal de Saúde.
“Não falamos em demissão em massa, as demissões são individuais. Mas, se muitas ocorrerem, elas serão coletivas”, explicou o presidente do sindicato.
Para Piacesi, a situação que o prefeito criou não é real e o ataque feito em público soou como ameaça. “Aquilo não é posição de prefeito. Ele falou em tom de agressividade. Não havia necessidade.”
Segundo ele, a classe pede por maior qualidade nas consultas, mais valorização dos profissionais e melhoria das condições de trabalho. “Os médicos que estão deixando a rede estão descontentes e, ao contrário do que o prefeito pensa, ele não conseguirá substituir à altura um médico que tem 15 anos de serviço prestado em uma unidade.”
Na quarta-feira, Alexandre Ferreira disse estar preparado para uma eventual debandada de médicos e anunciou, caso as demissões ocorram, a realização de contratações em regime de urgência. Ontem, inclusive, a Prefeitura publicou edital convocando 29 médicos emergencialistas para trabalharem nas unidades de emergência, como o Pronto-socorro e a unidade 24 horas do Jardim Aeroporto. O prazo para apresentação dos documentos, exigidos por Lei, termina na segunda-feira, 2 de junho. A Prefeitura anunciou ainda, que deve publicar amanhã, 31, detalhes do edital do processo seletivo para a contratação de servidores temporários.
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Franca, apenas cinco médicos, do total de 328 vínculos empregatícios, se manifestaram informando que não irão cumprir mais horas extras. Ainda na segunda-feira, Piacesi esclareceu que a medida não deixará a população desassistida. Ontem, inclusive, no primeiro dia de validade, o atendimento no Pronto-socorro ainda não havia sofrido interferência. “Não vamos deixar de fazer horas extras, apenas não vamos ultrapassar as 60 horas extras previstas por mês. O que estava acontecendo era exagerado, brutal”, revelou o presidente do sindicato, que também criticou outra medida anunciada por Alexandre Ferreira.
“O credenciamento de clínicas a um valor de R$ 10 a consulta não irá funcionar e ele terá de majorar essa consulta. No lugar de aumentar esse valor, o prefeito deveria usar o pessoal que tem e aumentar o salário dos médicos”, disse em referência à criação da Rede Multiclínicas, por meio da qual a Prefeitura comprará consultas em clínicas particulares para atender os usuários do Sistema Público de Saúde.
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