Ainda faltam explicações


| Tempo de leitura: 2 min
O O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) reuniu a imprensa local para, segundo sua assessoria de imprensa, em entrevista coletiva, anunciar medidas para melhorar o atendimento nas unidades de saúde sob a responsabilidade da Prefeitura Municipal de Franca. Porém, conforme o Comércio e a Difusora mostraram em reportagens, ontem, o chefe do Executivo francano preferiu se defender. E, como a maioria dos que não têm razão, o fez atacando. Segundo disse em seu discurso e em entrevistas durante o evento, todos os problemas da saúde na cidade não passam de “ataques políticos” para tentar “desestruturar” o seu governo.
 
O que o prefeito ainda não entendeu — ou finge não ter entendido — é que seu governo vem sendo desestruturado praticamente desde o primeiro dia de governo por ele e sua equipe. As reclamações se sucedem e não apenas no setor de saúde: o trânsito está um caos e as providências tomadas pela administração serviram apenas para piorar o quadro existente antes. Além disso, o acordo com a Empresa São José, fechado na surdina e sem o estardalhaço de outras ocasiões, ainda não foi devidamente explicado. Em todos os casos — sem que citemos a esvaziada Expoagro —, quem perdeu foi a cidade e o prefeito não teve até agora a humildade de reconhecer seus erros e buscar resolver os problemas.
 
No caso da saúde, embora tenha anunciado a reforma do PS Infantil e a contratação de médicos para reforçar o atendimento, Alexandre Ferreira manteve-se calado a respeito das três mortes suspeitas envolvendo pacientes do Pronto-socorro ‘Dr. Álvaro Azzuz’, ocorridas nos primeiros três meses do ano. Calou-se e ainda não deu nenhuma satisfação às famílias de Luara Pietro Ribeiro, 25 (morreu depois de passar oito vezes pelo PS, ser internada duas vezes na Santa Casa e sofrer duas cirurgias); de Clésia Araujo Novais, 36 (segundo a família, ela, que seria diabética, teria morrido depois de receber uma dose de glicose no PS); e de Francisca Firmina (que morreu meia-hora depois de receber alta no PS). Não há qualquer resultado sobre as “sindicâncias” abertas pela Secretaria Municipal de Saúde e todos da administração municipal estranhamente se calam.
 
Um fato semelhante ocorreu em Ribeirão Preto, mas seus desdobramentos foram diametralmente opostos aos casos de Franca. Gabriela Zafra, uma adolescente de 16 anos, faleceu com suspeita de meningite em uma UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) após ser atendida cinco vezes em três postos da rede pública de saúde. Logo após o fato, a prefeita Dárcy Vera (PSD) se pronunciou, pediu desculpas à família e anteontem, poucos dias depois, a Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto afastou os médicos envolvidos no atendimento. Agiu como deveria ser feito, o que não ocorreu por aqui. Alexandre Ferreira precisa assumir as suas responsabilidades e fazer valer a sua autoridade de prefeito. Da forma como vem agindo, porta-se como um ditador que não ouve ninguém, toma decisões erradas e não volta atrás. Falta-lhe humildade, postura política e mesmo a temperança necessária para tentar colocar a Prefeitura outra vez nos trilhos.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários