O médico legista Mauro Tozzi Maniglia, que assinou o laudo da morte de Luara Prieto Ribeiro, de 25 anos, morta no dia 7 de janeiro deste ano, desmentiu ontem para a CEI (Comissão Especial de Inquérito) a versão dos médicos Carlos Augusto Donadelli e Edson Teixeira Pinto Abreu, em audiências anteriores, de que a jovem teria morrido em decorrência de uma infecção generalizada.
Segundo Tozzi afirmou para os vereadores Valéria Marson (PSDB), Daniel Radaeli (PMDB) e Márcio do Flórida (PT), não houve erro no seu lado e a necropsia não apresentou sinais de infecção em nenhuma parte da cavidade abdominal nem secreção purulenta em órgão algum, o que caracterizaria a infecção.
De acordo com ele, Luara morreu em razão de uma hemorragia. “O que me chamou a atenção no exame foi a quantidade de sangue na cavidade intra-abdominal e a falta de dois terços do intestino dela. Não tinha vestígios de infecção. A causa da morte foi um choque hipovolêmico (choque hemorrágico)”, afirmou.
Luara Prieto morreu depois de passar oito vezes pelo Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, ser internada duas vezes na Santa Casa e sofrer duas operações.
A médica Thaís Tsubochi Ferreira, que atendeu Luara no pronto-socorro antes de a jovem ser internada na Santa Casa também depôs ontem à CEI e afirmou que não houve demora em conseguir a vaga para a internação da jovem. “Duas horas depois de ser atendida por mim e ter sido diagnosticada com uma pielonefrite, ela foi para a Santa Casa”, afirmou em depoimento.
Thaís foi questionada também sobre a questão das horas extras dos médicos e disse que é contratada para trabalhar 20 horas semanais no Pronto-socorro, mas trabalha 30. “São horas efetivamente trabalhadas, preencho folha de ponto, pois ainda não há biometria em funcionamento. Há uma demanda grande de pacientes para ser atendida. Eu recebo pelas 20 horas e as 10 restantes são remuneradas como horas extras.”
Nesta quinta-feira as oitivas da CEI continuam. Há convocação para que o secretário municipal de Recursos Humanos, Humberto Mazza, deponha a partir das 17h30. O médico Élvio Antônio Pinotti Neto, do Pronto-socorro Infantil também foi convocado.
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