Violência mortal


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O Brasil registrou em 2012 o maior número absoluto de assassinatos e a taxa mais alta de homicídios desde 1980. Nada menos do que 56.337 pessoas foram mortas naquele ano, num acréscimo de 7,9% frente a 2011. Já o número de mortos em acidentes de trânsito no País cresceu 38,3% no período de 2002 a 2012. Estes números foram apresentados pelo Mapa da Violência 2014, divulgado na última terça-feira, 27. Considerando o aumento populacional no período, o crescimento foi de 24,5%. Saiu de 33.288 em 2002 para 46.051 vítimas fatais em 2012. No total, cerca de 100 mil pessoas morreram por causa da violência urbana naquele ano, número superior ao registrado na guerra civil da Síria, que em três anos matou cerca de 150 mil pessoas (numa média de 50 mil por ano).
 
O levantamento mostra que a taxa de homicídios -- que leva em conta o crescimento da população, aumentou 7%, totalizando 29 vítimas fatais para cada 100 mil habitantes. O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, responsável pelo Mapa, diz que nossas taxas são 50 a 100 vezes maiores do que as de países como o Japão. Para ele, o Brasil vive um ‘equilíbrio instável’, em que alguns Estados obtêm avanços, mas outros tropeçam. Os dados mais recentes mostram que apenas cinco unidades da federação conseguiram reduzir suas taxas de homicídios de 2011 para 2012. Dois deles -- Rio de Janeiro e Espírito Santo -- se mantiveram praticamente estáveis, com quedas de 0,3% e 0,4%, respectivamente. Os outros três foram Alagoas, com retração de 10,4%; Paraíba, com 6,2%, e Pernambuco, com 5,1%. Ainda assim eles continuam entre os dez estados com maiores taxas de homicídio do País.
 
São Paulo aparece na outra ponta. Entre 2011 e 2012, registrou alta de 11,3%, mas segue ainda com a segunda menor taxa do País. Considerando um período maior, de dez anos entre 2002 e 2012, os dados de São Paulo ainda são positivos, pois houve queda de 60% em sua taxa. Nesse mesmo período, o índice do Rio caiu 50%. Na média brasileira, a alta nesses dez anos foi de 2,1%. Para o sociólogo, a análise desses dados comprova que esses dois Estados tiveram êxito em suas ações de Segurança Pública, mas que ainda é preciso fazer ajustes. Além disso, a impunidade permitida por uma legislação leniente e cheia de brechas também influi no crescimento dos índices, tanto nos homicídios quanto nos acidentes de trânsito.
 
Especialistas dizem que a situação é preocupante, pois as ações pontuais na área de Segurança Pública estão mostrando seus limites. Sem reformas estruturais que mexam no sistema penitenciário e no modelo obsoleto de Polícia Civil e Militar, será difícil resolver o problema. O Mapa da Violência destaca ainda que a onda de violência migrou das capitais para o interior, na esteira de novos polos de crescimento econômico. Uma das propostas para combater o crime é a parceria da Polícia Militar com projetos sociais de redução do consumo de drogas. Hoje, a maioria dos homicídios tem a droga como pano de fundo. Se nada disso for atacado com a seriedade que o assunto merece, dificilmente conseguiremos números menos negativos no futuro.

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