Agora não adianta chorar


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A criação do cargo de diretor-geral da Câmara Municipal deixava clara a possibilidade ali haver um erro. Afinal, as intenções do presidente do nosso Legislativo, Jepy Pereira (PSDB), já eram por demais conhecidas: colocar na função alguém sintonizado com suas ideias no sentido de ‘enquadrar’ os servidores da Câmara. Depois de ser hostilizado, desmentido e processado, Jepy não poderia mais radicalizar e endurecer contra aqueles que provocaram pelo menos três processos na Justiça contra ele. Porém, antes mesmo da nomeação, ele tentou dobrar o salário do diretor-geral. Diante da repercussão negativa (mais uma entre as diversas que cercam sua gestão), os vereadores não aprovaram.
 
Depois de Jerônimo Sérgio Pinto declinar do convite para assumir o cargo, Jepy nomeou José Antônio Lomônaco, que não demorou para instituir uma relação conturbada junto aos servidores do Legislativo francano, interferindo até nas idas e vindas ao cafezinho. Na sequência, assim como muitos agentes públicos brasileiros, Lomônaco já quis tirar vantagem do posto, tentando viajar para São Paulo com o carro oficial da Câmara. E agora, determinou ao setor de informática que providencie, imediatamente, o bloqueio de acesso a sites classificados por ele como ‘institucionalmente indesejáveis’, como as redes sociais, por exemplo. Além disso, o uso de e-mail particular terá que seguir regras estipuladas por ele. A medida afetará servidores de carreira, assessores parlamentares e vereadores.
 
A reação foi imediata e contundente. Vereadores disseram que não vão aceitar interferência nos gabinetes e repudiaram a decisão na tribuna durante a sessão de ontem. Adérmis Marini (PSDB) não descarta pedir a cabeça do diretor. Servidores também ingressaram com representação na Comissão de Corregedoria pedindo sua exoneração por abuso de poder e ‘escandaloso’ assédio moral. A temperatura subiu bastante nos últimos dias mas, neste episódio, não se pode nem culpar Jepy Pereira. Embora ele tenha sido o autor da criação do posto, a aprovação foi dos vereadores que agora reclamam.
 
Este é o perigo de se dar um cheque em branco a qualquer gestor público. Há poucos meses, a edilidade concedeu a mesma carta branca ao prefeito que investiu mais de R$ 3 milhões na desapropriação de um prédio (desnecessário) para estocar a merenda escolar, quando já existia outro para o mesmo fim. O problema é que os nossos vereadores estão trocando os pés pelas mãos, pois ultimamente o instrumento da urgência vem sendo utilizado amiúde, impedindo que haja discussão sobre qualquer assunto, seja ele urgente ou não.
 
Muita coisa, como a criação do cargo de diretor-geral do Legislativo, deixou de ser debatida. O presidente da Casa não precisa mais submeter o nome do escolhido ao plenário. E ele tem plenos poderes para implantar qualquer norma que lhe passe pela cabeça, atingindo servidores e vereadores. Estes últimos agora reclamam porque Lomônaco pisou nos seus ilustres calos. Mas foram os responsáveis por esta situação, já que conheciam as intenções do presidente da Câmara. Aceitaram e deixaram o diretor-geral fazer o que quisesse, até atingi-los. Só aí é que levantaram a voz...

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