Diretor bloqueia acesso a redes sociais na Câmara


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Foto de arquivo mostra os vereadores Luiz Vergara e Adérmis Marini: os dois fizeram duras críticas às medidas do diretor da Câmara
Foto de arquivo mostra os vereadores Luiz Vergara e Adérmis Marini: os dois fizeram duras críticas às medidas do diretor da Câmara
O diretor-geral da Câmara, José Antônio Lomônaco, determinou ao setor de informática, ontem, que providencie, imediatamente, o bloqueio de acesso a sites classificados por ele como “institucionalmente indesejáveis”, como as redes sociais, por exemplo. O uso de e-mail particular terá que seguir regras estipuladas por ele. A medida afetará servidores de carreira, assessores parlamentares e vereadores. A reação foi imediata e contundente. Vereadores disseram que não vão aceitar interferência nos gabinetes e prometeram repudiar a decisão na tribuna durante a sessão de hoje. Adérmis Marini (PSDB) não descarta pedir a cabeça do diretor que ocupa cargo em comissão indicado por Jépy Pereira (PSDB). Servidores também ingressaram com representação na Comissão de Corregedoria pedindo sua exoneração por abuso de poder e “escandaloso” assédio moral.
 
A comunicação interna número 8/2014, assinada por Lomônaco, é confusa. No mesmo texto que proíbe o acesso às redes sociais ele afirma que o acesso ao Facebook será permitido aos vereadores na forma do disposto no artigo 3º do “mesmo diploma legal”. Não explica as condições. O Comércio apurou que os vereadores terão que pedir ordem ao presidente e assinar termo de responsabilidade.
 
No parágrafo 2º, Lomônaco escreveu que devem ser providenciados filtros que “permitam” acesso a todos os sistemas de e-mail particulares, como Webmail, Gmail, Yahoo e Hotmail. No parágrafo seguinte, no entanto, afirma que, havendo interesse em acessar e-mails particulares, os interessados deverão acessar seus servidores e programá-los para que sejam encaminhados ao endereço institucional @camarafranca.sp.gov.br, o que, segundo os funcionários, permitiria o controle do conteúdo. Fica proibida a anexação de qualquer documento de acesso restrito da Câmara. “É uma afronta ao nosso trabalho. Está havendo interferência no gabinete. O Lomônaco não vai dizer o que o vereador vai fazer na sua rede social. O presidente e a mesa precisam tomar providência urgente. Não queremos nenhuma mordaça. É preciso dar um basta”, disse Luiz Vergara (PSB).
 
O vereador criticou as decisões tomadas pelo diretor e lembrou do episódio em que ele (o diretor) tentou viajar para São Paulo com o carro oficial. 
 
Adérmis Marini disse que a determinação de Lomônaco foi um desrespeito aos vereadores. “É um absurdo, uma medida retrógrada. Não fiquei satisfeito e vou cobrar o presidente. Ele precisa rever a decisão. Faremos duras críticas na tribuna. Cada vereador tem que ter a responsabilidade sobre o que posta nas redes sociais”. 
 
O vereador disse que, caso o diretor insista em tomar medidas sem conversar com servidores e vereadores, ele irá pedir sua exoneração. “Temos que tomar providência, mesmo que seja a mais drástica”.
 
O Comércio procurou Lomônaco para ouvir suas explicações, mas sua sala permaneceu fechada na tarde de ontem. “Ele não veio hoje à tarde”, disse o diretor-administrativo, Afonso Teodoro.

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