Importância da leitura


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Monteiro Lobato, um dos mais importantes autores da literatura infantil brasileira, criador das inesquecíveis aventuras dos moradores do Sítio do Picapau Amarelo, deixou lapidada uma frase que, ainda hoje, é repetida sem que se leve em consideração a sua importância nos dias atuais. Grande parte da literatura de José Bento Monteiro Lobato (1882-1948) foi direcionada aos pequenos leitores. Produziu durante toda sua carreira literária 26 títulos destinados ao público infantil, sendo considerado hoje um dos mais importantes escritores da literatura infanto-juvenil da América Latina e também do mundo.
 
“Um País se faz com homens e livros”, vaticinou o escritor, ressaltando a importância do conhecimento para a formação de uma Nação. A opinião do ilustre autor brasileiro atualmente vem sendo desconsiderada. Afinal, números do Censo Escolar 2013, compilados pelo portal Qedu, mostram que, 65% das unidades de ensino brasileiras, públicas e privadas, não contam com uma biblioteca. Ou seja: desde 2010, quando entrou em vigor a lei 12.244 — que obriga todos os gestores a providenciar, até 2020, espaços estruturados de leitura em seus colégios —, a situação praticamente não evoluiu. Naquele ano, só 33,1% das escolas tinham bibliotecas; em 2013, eram 35%.
 
Embora em melhor situação, as escolas particulares ainda estão longe da universalização dos espaços de leitura: apenas 59% delas os têm, ante 28,9% das públicas. Há também grande disparidade regional. Sul e Sudeste têm a maior concentração de bibliotecas, enquanto Norte e Nordeste enfrentam dificuldades. Rio Grande do Sul (63,41%), Minas Gerais (60,52%) e Paraná (58,05%) ocupam as três primeiras colocações; Acre (18,29%), Maranhão (13,88%) e Pará (15,83%), as últimas. O Rio está em sexto, com 46% de unidades equipadas. São Paulo tem só 24%, na 19ª colocação.
 
Para tornar a questão ainda mais preocupante, dados da edição de 2012 da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência, revelam que apenas 24% dos brasileiros têm o hábito de leitura; 85% costumam ver TV. Segundo a pesquisa, houve uma queda de 9, 1% no universo de leitores. Sem homens letrados não há educação, e sem educação não há respeito à dignidade humana. Pelo menos é o que encerra a frase de Monteiro Lobato, que se bateu por toda a sua vida pela importância da leitura desde criança para a formação do cidadão.
 
A falta de incentivo à leitura, como se vê, já começa na escola. Quem não tem o hábito de ler dificilmente terá condições de buscar a ampliação dos seus conhecimentos. E isto só pode ser feito através da leitura. A televisão não pode substituir livros, jornais e revistas. A TV serve para informar e divertir, é um grande instrumento de entretenimento, mas o aprendizado não é possível sem que se leia — e, principalmente, se goste de ler. Com a situação que vivemos agora, corremos o risco de criar uma geração refratária à leitura e, infelizmente, incapaz de discernir, chegar a conclusões e, principalmente, formular ideias e conceitos.

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