'Nossas contas estão enxutas. Não há uma grande dívida'


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De família de médicos, Chafi Facuri Neto é, desde o começo do mês, o novo presidente do Hospital Regional de Franca. Integrante do corpo clínico há 13 anos, sendo nos últimos seis também membro do Conselho de Administração, o médico teve indicação unânime para ocupar o cargo e encabeçar a partir de agora inúmeras transformações no hospital.
 
As mudanças físicas e tecnológicas colocarão o Regional em uma nova fase e são vistas por Chafi Facuri como imensamente necessárias para a evolução do hospital. “É uma restruturação para melhora da qualidade dos serviços. Uma mudança de filosofia”, resumiu o médico ortopedista, que passará a cuidar mais exclusivamente da gestão da instituição.
 
Com 41 anos, o novo presidente veste a camisa do Hospital Regional e diz que seu avô, Chafi Facuri, que dá nome a uma avenida da cidade, mas a grafia do nome é incorreta, com uma letra a mais - Chafic, foi um dos fundadores da unidade que tem hoje 130 médicos credenciados, 480 funcionários entre o hospital, a operadora de plano de saúde e as áreas de apoio, e cerca de 40 mil conveniados. “Diferente do que muitos pensam, o hospital está bem financeiramente. Não há nenhuma grande dívida. Operamos com lucro e vale lembrar que não estamos à venda.” Em 2014, o Hospital Regional, que nesta nova fase ganha novo nome e layout com a adesão da palavra maternidade, completa 47 anos de mercado.
 
Pela primeira vez à frente do hospital, o médico revela que pretende no prazo de três anos, modernizar todo o Regional mas lembra que todos os investimentos e realizações dependem da aprovação dos conselheiros. Serão eles que determinarão quais são as prioridades. “Temos projetos, temos de decidir o que é essencial”, disse Chafi Facuri Neto, que assumiu a presidência no lugar do médico Alberto Costa.

Como o senhor chegou à presidência do Hospital Regional?
Estou há seis anos como membro do Conselho de Administração do Hospital, venho nesse período me preparando para o cargo. Fui eleito no último dia 28 de abril por aclamação, não houve outra chapa concorrente. Indicaram o meu nome para modernizar o hospital e ele foi aceito por unanimidade. Essa indicação maciça me motiva, pois vou ter a possibilidade de implementar projetos que vão trazer modernização para o Hospital Regional. Para mim é uma grande oportunidade para promover o crescimento da empresa, proporcionando melhorias no serviço de saúde para a população.

Muito se falou na época da tentativa de fusão com a Unimed que o Regional estava quebrado. Qual é a real situação financeira do hospital hoje?
Sólida, crescente, como se pode comprovar no balanço publicado no final de abril no próprio jornal. Nossas contas estão enxutas, não há nenhuma grande dívida ou empréstimo. O hospital teve lucro e prova é que iremos fazer vários investimentos. Ainda este ano devemos investir mais de R$ 1 milhão nas instalações hospitalares. Aproveitando, quero deixar claro, que o Hospital Regional também não está à venda e não será incorporado por nenhum outro hospital. Já fomos procurados por grupos de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas não houve aproximação ou tentativas de negociação. Muito do que se fala não passam de boatos.
 
Por que a fusão com a Unimed não deu certo?
A fusão foi vetada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômico), que entendeu não haver motivos para o Regional ser vendido. A fusão só aconteceria se o hospital estivesse falido e esse não era o cenário. Durante o período que operamos juntos percebemos também que o nível de reclamação dos usuários cresceu muito. Nossos clientes não aprovaram a fusão, eles expressaram grande admiração e fidelidade pelo Regional, isso reafirmou a nossa vocação pelo atendimento humanizado, nos mostrando nosso ponto forte. Os clientes pediram que as instituições continuassem separadas, pois os hospitais são diferentes. Alguns serviços haviam se fundido, acarretando ajustes administrativos e de quadro funcional. Estes serviços foram rapidamente restituídos e o quadro de funcionários recomposto, inclusive com recolocação daqueles que haviam sido dispensados e se interessaram em retornar para o nosso quadro. Desde então, o número de colaboradores cresceu 20% e também reabrimos o corpo clínico que está 10% maior.
 
Como o senhor analisa a saúde pública atualmente e a carência de médicos? O problema também ocorre na rede privada?
É um dos grandes problemas do Brasil, os desafios nessa área são enormes e o governo tem muita lição de casa para fazer. A carência de médicos existe, mas não enfrentamos isso. Nosso corpo clínico é completo e vem crescendo, mas com o achatamento da remuneração da classe médica, é difícil atrair novos profissionais para o interior, onde o ticket médio das operadoras é muito mais baixo que em grandes centros. Temos apenas dificuldades pontuais, como é o caso de algumas especialidades.
 
As constantes reclamações na saúde pública têm atraído novos clientes para o plano particular?
Em Franca, pelas características econômicas da cidade, ainda não vemos isso acontecer, existe um desejo, o plano de saúde é um sonho de consumo para alguns, o grande desafio é tornar esse sonho acessível. Acredito que no futuro podemos perceber essa mudança, que muitos irão se sacrificar para conseguir ter acesso a um plano.

Mesmo em relação ao plano, há muitas reclamações de demora no atendimento de modo especial no pronto socorro. Por que isso acontece? O que o Regional tem feito para amenizar o tempo de espera?
No Regional fizemos há oito meses uma intervenção que vem dando excelentes resultados. Todos os dias há um médico do corpo clínico atuando como chefe de plantão, atendendo e gerenciando o atendimento médico, o que gerou um tempo médio de espera em torno de 30 minutos. Acredito que este problema ocorra ainda porque o pronto socorro é um serviço de urgência e emergência, muitas pessoas procuram esse serviço para buscar alívio de problemas crônicos. O volume de urgências é imprevisível e pode ocorrer espera quando o volume ultrapassa o corriqueiro, sendo que a média de espera em outros serviços varia a partir de uma hora. São alguns picos, mas não conseguimos prever quando eles irão ocorrer. Se fosse só no fim de semana, estaria resolvido, mas ele pode ocorrer em uma segunda-feira no período da tarde, por exemplo. Em determinado momento, há poucas pessoas aguardando atendimento e quando vemos, a recepção já está lotada.
 
Ainda em se tratando de atendimento, muitas pessoas têm enfrentado dificuldade para conseguir vaga para consulta. Alguns médicos estão agendando para depois da Copa ou até mesmo para setembro, outubro. Qual a explicação para essa demora?
Não temos essa dificuldade, temos agenda para todas as especialidades, o problema é que muitas pessoas querem consulta com o seu médico de confiança, que geralmente é um profissional muito requisitado. Nesse caso sim, não haverá vaga, porém é uma escolha. Mas se isso ocorrer, o cliente tem a opção de ligar na operadora que indica o especialista disponível. Por determinação da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o prazo de espera por uma consulta não pode passar de dez a 21 dias dependendo da especialidade.
 
No começo da entrevista, o senhor disse muito sobre restruturação. O que vai mudar no Hospital Regional?
Temos projetos de expansão e modernização física e tecnológica em várias áreas, como a UTI Neonatal, centro de diagnóstico por imagem e ambulatório próprio. Além disso temos novidades em produtos, como o recém lançado plano odontológico. É uma nova fase que mostra que estamos crescendo. Temos know how de serviços humanizados e estamos nos profissionalizando cada vez mais em termos administrativos e gerenciais.
 
O que motivou essas mudanças?
A Agência Nacional de Saúde faz grandes exigências, em Franca, os custos da saúde são os mesmos de São Paulo ou Rio de Janeiro, mas a renda per capita da população não acompanha estas cidades, nos impedindo de praticar os mesmos valores em planos de saúde, por isso sobreviver nesse mercado exige muita seriedade, profissionalismo e modernização inclusive na gestão.
 
E o que deverá ser feito de imediato?
Os projetos são muitos, mas antes de colocar em andamento precisamos elencar prioridades, decidir o que é essencial para melhorar a qualidade de atendimento dos usuários. De imediato, estamos mudando a marca, modernizando o logo, lançando uma nova campanha, atualizando a rede, estudando investimentos, inclusive com a realização de obras físicas. Sempre fomos uma maternidade, então estamos agregando isso ao nome, para lembrar que cuidamos da vida, além da saúde. Passaremos a partir de agora a chamar Hospital e Maternidade Regional.

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