Por enquanto, TAC fica na teoria e pressão por horas extras continua


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O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, estiveram neste sábado no Pronto-Socorro Municipal “Álvaro Azzuz”. Segundo funcionários, na sexta-feira à noite, Alexandre e Rosane, além do secretário de Recursos Humanos, Humberto Mazza, e outros funcionários também “montaram guarda” no PS para acompanhar os trabalhos dos funcionários no local. As visitas teriam sido motivadas pelos ajustes necessários para cumprimento do TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado pelo Município junto ao Ministério Público (leia mais na outra página). O prefeito e a secretária de saúde não quiseram se pronunciar a respeito.
 
De acordo com um médico da Rede Pública de Saúde de Franca, que pediu para não ser identificado, a ordem é para continuar com a realização de horas extras além do permitido e partiu da secretária de Saúde, Rosane Moscardini. Mas com receio das consequências da irregularidade, os médicos estariam se negando a obedecer a determinação.
 
Procurada pelo Comércio, a diretora clínica do Pronto-Socorro Municipal, Cláudia Poubel, disse que os médicos convidaram a secretária de Saúde para uma reunião na última quinta-feira para entender como a determinação seria cumprida, porque os profissionais não querem ser responsabilizados, mas ela não compareceu. A reunião estava marcada para às 19h30. Os médicos aguardaram, em vão, a secretária até as 21 horas.
 
Ainda segundo a diretora-clínica, um parecer jurídico explicando e autorizando a realização da horas extras foi solicitado à Prefeitura no dia seguinte à reunião, mas o Executivo se recusou a fornecer o documento que transfere a responsabilidade da “irregularidade” ao poder público municipal. Sem o documento, a administração do PS diz que se negará a liberar as horas extras.
 
Cerco fechado
Diante da recusa, o prefeito e alguns de seus secretários estiveram no PS neste sábado. “Eles ficam na porta dos consultórios inibindo os médicos a saírem. É um assédio moral lá dentro. Eles ficam vigiando. O prefeito vai atrás até quando o médico vai fazer uma sutura e impedindo eles de tomarem até café. O Mazza ficou lá até 4 horas da manhã de sexta-feira”, disse um funcionário do PS.
 
O Comércio esteve no PS na manhã deste sábado e confirmou a presença do prefeito, da secretária de Saúde e outros comissionados no local. Os guardas civis municipais impediram que a reportagem entrasse nas alas da unidade, mas foi possível ver Alexandre e Rosane andando pelos corredores e recepção.
 
O prefeito ficou no PS até as 11h30. A reportagem tentou conversar com Alexandre enquanto ele deixava o local pelo estacionamento de ambulâncias, mas ele acelerou o passo e não quis se pronunciar. Pouco depois, a secretária de Saúde se dirigiu até o seu carro, no mesmo local. Questionada pelo Comércio sobre o motivo da presença maciça de comissionados no PS ela se limitou a dizer que “estamos trabalhando para garantir o atendimento à população. Estamos acordando, já fizemos reunião e estamos tomando as medidas para não causar nenhum prejuízo para a população.”
 
Sindicato
O presidente do Sindicato dos Médicos de Franca, Marco Aurélio Piacesi, disse que recebeu uma ligação sinalizando sobre uma reunião no PS. “Não fui convidado para a reunião e nem sei o teor da conversa, só me falaram que o prefeito estava lá com uma porção de gente fazendo pressão. Não sei pressão sobre o que.” Piacesi estava viajando e disse que iria se inteirar do assunto quando chegasse em Franca.

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