Novo cenário mundial?


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Desde 1973, quando da grande crise mundial do petróleo, os países produtores denominam seus contratos em dólares, que acabou sendo usado como moeda de reserva. Daí o termo ‘petrodólar’. O comércio energético, sempre assinado em dólar, fez dessa moeda um padrão mundial, privilegiando a posição dos EUA como potência hegemônica.
 
Agora, parece estar em movimento uma mudança que pode refletir radicalmente no campo econômico, significando o menor peso do dólar na economia mundial. A agência de notícias Ria Novosti relatou o fechamento de acordo, no último dia 21 de maio, entre Rússia e China, no valor de 400 bilhões de dólares, para fornecimento de gás e petróleo da Rússia à China, durante 30 anos, a iniciar-se em 2018, depois da construção de gasodutos para esse fim. A novidade é que esse contrato, o maior já realizado no campo energético, não será denominado em dólares americanos, e sim, nas moedas nacionais da Rússia e China, respectivamente Rublos e Yuans.
 
No dia seguinte, a China avisou aos bancos afegãos que não mais receberia em dólares os pagamentos pelas exportações feitas àquele país, conforme informou o jornal Asia Times e a agência Reuters. A Arábia Saudita está em conversações com outras nações do Oriente Médio para criar uma cesta de moedas próprias, preparatórias para a criação de uma moeda a ser usada pelos países do golfo. Não foi outro o motivo da visita do presidente Obama à Arábia Saudita, recentemente. Na aparência, a tendência se fortalece.
 
É claro que o dólar americano continuará forte, mas a se confirmar as tendências mencionadas, seria de bom alvitre que o Brasil se mantivesse atento às movimentações nesse sentido, para não ser pego de surpresa com eventual desvalorização do dólar no médio prazo.
 
Roberto Pires Silveira
Blogueiro, funcionário público

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