Psiu


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Gosto da noite. Não a noite de sair. Gosto da noite de dormir.  Seu silêncio, sua proteção, sua suspensão. Como se tudo ficasse parado onde está, e nada de mal aconteceria – tempo interrompido. Nem os relógios emanariam suas badaladas, as horas correriam de modo silencioso, como se não as houvesse. Como se não passassem. Já tive medo da noite. Achava sua escuridão imensa demais. Silenciosa demais. Amedrontava. Era traiçoeira e ameaçadora. Engraçado, tudo de mal, ao contrário, acreditava que aconteceria à noite. Quando criança  torcia para que algo acontecesse: um incêndio, o inesperado, qualquer  coisa que livrasse daquele encanto assombrado. Agora, não mais. Gosto da noite. Durmo. Acordo, e percebo,  gosto também do dia.

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