Ex-proprietário de escolinha infantil é acusado de abusar de aluna de 3 anos


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A vendedora de 27 anos com sua filha de 3: “Enquanto ela tirava a roupa dela, pedia: ‘mamãe tira a roupa, deixa eu por a boca na sua...’ e mostrou minhas partes íntimas”
A vendedora de 27 anos com sua filha de 3: “Enquanto ela tirava a roupa dela, pedia: ‘mamãe tira a roupa, deixa eu por a boca na sua...’ e mostrou minhas partes íntimas”
Um professor de 34 anos e ex-dono de uma escola infantil em Franca é acusado de tocar e lamber as partes íntimas de uma menina de 3 anos que estudava na unidade. Segundo a mãe da criança, a filha afirma que ele cantava a música “jacarezinho, jacarezão, pererequinha, pererecão” e passava a mão em seu corpo. Ela imitou o gesto para familiares e para as psicólogas da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). A delegada Graciela Ambrósio investiga o caso. O acusado prestou depoimento no dia 12 de maio e negou as acusações.
 
A história veio à tona há cerca de dois meses, após a mãe estranhar o comportamento da filha. No dia 1º de abril, uma terça-feira, a vendedora desempregada, de 27 anos, repetiu a rotina de todas as tardes. Buscou o casal de filhos na escolinha que fica a três quarteirões de sua casa. Assim que chegaram, ela deu banho na filha de 3 anos e no bebê de 10 meses. Depois os três se sentaram no edredom estendido no chão da sala e ficaram assistindo à televisão. Foi neste momento que a mãe foi surpreendida pelas atitudes da filha.
 
Segundo a vendedora, a criança tirou o short que vestia e colocou a mão dentro da calcinha. Depois tirou a blusa e ficava passando a mão no peito, nas pernas e nas partes íntimas. Ela desconfiou das atitudes da menina. “Minha filha sempre tomou banho comigo e nunca aconteceu nada assim. Enquanto ela tirava a roupa dela, pedia: ‘mamãe tira a roupa, deixa eu por a boca na sua...’ e mostrou minhas partes íntimas. Pensei, isso não é da minha filha. Chamei a atenção e coloquei ela de castigo.” A mãe disse ainda que está separada e não tem homem morando na sua casa. “Também não assisto filmes assim (eróticos), porque não gosto.”
 
Ao questionar a criança, a mãe ficou ainda mais preocupada e surpresa. “Perguntei quem faz isso? Ela falou o tio fulano, citando o nome de um funcionário da escolinha onde estudava.” Disse também, ainda segundo a mãe, que assistia a desenhos com ele e cantava a música “pererequinha, pererecão, pererequinha, pererecão, jacarezinho, jacarezão”. “Na situação do que está acontecendo, pelo ‘pererequinha, pererecão, jacarezinho’ só dá para pensar... Ela fala que quem põe a boca na pererequinha dela é o jacarezinho. E que o tio fulano falou que quem fez isso foi o jacarezinho. Isso me fez entender que realmente aconteceu, não estou julgando, mas desconfio que ele andou sim colocando a boca nas partes (íntimas) dela e falou que era uma brincadeirinha.” 
 
A escola
No dia seguinte ao episódio, ao levar os dois filhos à escola ela pediu para falar com o funcionário que a filha citou, mas informaram que ele não estava. Ela então narrou para a diretora o que a filha tinha feito e falado. As crianças ficaram na escola. À tarde, ao retornar para casa, a filha repetiu as cenas. “Ela pediu para eu deixar ela por a boca e veio pra cima de mim.”
 
Ao comentar com a irmã o comportamento da filha, a mãe foi surpreendida com a informação de que a sobrinha teria passado por situação parecida. “Minha sobrinha estudava na mesma escolinha e um dia passou a mãozinha na barriga e disse que o tio fulano, o mesmo que minha filha fala, tinha feito isso nela”, disse a mãe. 
 
Há um ano e meio, a irmã dela tinha matriculado a filha, na época com 2 anos, na mesma escola. “Fui trocar minha filha e ela bateu a mão nas partes íntimas. Perguntei o que era aquilo e ela disse que era brincadeira que o tio fulano fazia”, disse a tia da menina de 3 anos. Ela conversou na escola e depois mudou a filha de instituição.
 
Registro
A mãe decidiu procurar a DDM, onde a criança foi ouvida pela psicóloga Ellen White. A mãe registrou boletim de ocorrência de estupro de vulnerável contra o proprietário da escola. “Ela (psicóloga) ouviu minha filha e falou de imediato para eu registrar o boletim de ocorrência. Disse que ela falava o mesmo nome, do tio fulano, o tempo todo.”
 
A criança passou por exame de corpo delito no IML (Instituto Médico Legal), mas nada foi apontado.
 
A delegada Graciela Ambrósio instaurou inquérito para investigar o professor. No processo, a criança foi ouvida por outra psicóloga, Fabiana Zagolin, que está há 16 anos na DDM. Fabiana afirma que a criança repetiu a música, citou o nome do mesmo funcionário e que são reais os fatos que ela narra. “É verdade a história. Ela mostra direitinho os gestos. A criança nessa idade fantasia também, mas do jeito que ela mostra os gestos, aconteceu, é real. Ela mostra direitinho como ele lambia (as partes íntimas).” Fabiana afirma que insistiu com a criança para saber como narrava a história. “Se você fala para ela: ‘Ah, mas ele não fez isso não’. Ela bate o pé e fala: ‘Fez, sim’. Ela traz muitos detalhes e fala com convicção sobre o que aconteceu. É muito detalhe para uma criança de 3 anos trazer, se fosse fantasia, ela ia deletar. Aconteceu esse fato mesmo.”
 
O professor acusado prestou depoimento na delegacia na última semana. Passou mal e negou as acusações. O caso deverá encaminhado para a Justiça (leia mais ao lado). 
 
Transferência
As duas crianças estudavam na escolinha desde novembro do ano passado. A mãe ficou cinco meses à procura de vagas em creches da Prefeitura e não conseguiu local para atender os dois filhos. Acionou a Justiça via Defensoria Pública, e conseguiu vaga para as duas crianças na escolinha. 
 
Depois do episódio, as crianças ficaram sem ir para a escola por uma semana. Em casa, num dos dias, a mãe disse que a garota de 3 anos lhe fez um pedido. “Ela falou que o tio fulano lambe a periquita dela e que era para eu ficar brava com ele. Ela fala que o jacaré põe a boca na periquita.” 
 
A mãe procurou a Secretaria Municipal de Educação e conseguiu transferir os dois filhos de escola. “Fiquei preocupada porque minha filha continuou cantando a mesma música. Ela é uma criança, não sabe o que está acontecendo. Se isso continuar, talvez lá na frente ela vai relembrar esse fato e entender o que aconteceu e isso vai mexer no psicológico dela sim.”
 
Diretora
A atual diretora da escola disse que comprou a unidade recentemente e não teve contato com o professor. Ela e outras professoras prestaram depoimentos na DDM. E ela disse que aguardará o andamento das investigações para definir se alguma providência ou comunicado aos pais serão necessários.

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