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O consumo dos francanos está praticamente estagnado. E a culpa é das famílias da chamada classe alta que tem gastado menos, segundo dados da pesquisa IPC Maps 2014, desenvolvida pelo IPC Marketing Editora. O levantamento mostra que, de um ano para o outro, o potencial de consumo do francano praticamente não cresceu, ao mesmo tempo em que os gastos dos ricos com educação, serviços, cultura, viagem e lazer perderam espaço no orçamento doméstico.
Até 2013, o potencial de compra da população era de R$ 5,850 bilhões. Neste ano, esse valor passou para R$ 5,871 bilhões, um crescimento mínimo de 0,36%. Em relação às famílias ricas, o cenário é ainda mais pífio. Segundo o levantamento, Franca teve redução de 17,8% na quantidade de domicílios da classe A (de 5.137 para 4.224), o que reduziu o poder de compra dessa parcela da sociedade em 30,2%. Somente com matrículas e mensalidades escolares, por exemplo, os gastos que antes eram de R$ 47,8 milhões recuaram para R$ 32,6 milhões.
“Na verdade, o potencial de consumo de Franca diminuiu. Isto porque em 2013, de cada R$ 100 gastos pelos brasileiros, R$ 0,19 foram responsabilidade da população de Franca; em 2014 essa participação caiu para R$ 0,18. Essa queda do IPC fez com que Franca perdesse uma posição no ranking estadual”, disse o pesquisador e diretor do IPC, Marcos Pazzini. No ano passado, Franca era a 20ª cidade com maior potencial de consumo do Estado de São Paulo, em 2014 ela caiu para a 21ª. No ranking nacional, ela despencou do 66º lugar para o 74º.
Com menos ricos comprando, diversos setores começaram a sentir o efeito e a registrar queda no movimento. Na Sereia Academia, a proprietária Rita de Cássia Molina Garcia disse que vem registrando uma queda brusca no faturamento das três unidades da empresa comparado aos mesmos meses do ano anterior. “As campanhas de marketing seguem normalmente, porém, notamos uma queda nas ligações e visitantes, consequentemente refletindo nas vendas.”
Situação semelhante acontece na escola de inglês Fisk. Segundo o diretor Amilton César Rodrigues, desde o ano passado tem sido mais difícil captar novos alunos e manter os existentes. Rodrigues disse ainda que os pedidos de negociações e a inadimplência, antes praticamente nula, estão maiores neste ano.
Para Carla Pacheco, da escola de balé que leva seu nome, é notório que as famílias estão gastando menos. “Antes tínhamos famílias que compravam de três a quatro figurinos para um festival, agora decidem por apenas um e até o número de viagens com a escola tivemos de reduzir.”
“Essa é uma realidade de mercado. Percebemos que a despesas estão maiores em razão da inflação. A nossa mensalidade média tem declinado de modo significativo, pois mais pais estão solicitando descontos”, disse o diretor pedagógico do Colégio Pessoa, Eduardo Santos, que também percebeu um aumento no número de alunos participando do concurso de bolsas e em busca de atividades extras no contraturno das aulas. Segundo ele, essa maior procura por cursos extracurriculares acontece porque muitos pais cortaram as aulas de inglês ou natação, por exemplo, em escolas especializadas e, com mais tempo ocioso, os estudantes procuram pelas atividades oferecidas pelo colégio.
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