Os últimos prognósticos para a economia brasileira entre 2014 e 2015 devem estar tirando o sono de muita gente no Planalto. Acontece que os números continuam apresentando viés de baixa que nem uma contabilidade criativa será capaz de reverter. Especialistas brasileiros revisam para baixo os números do PIB (Produto Interno Bruto) e para cima os da inflação. Tanto que até a área econômica do governo federal teve que dar a mão à palmatória e apostar numa inflação mais alta para este ano. Como estamos em ano eleitoral, tudo isso tem alvoroçado o Executivo federal, que se empenha em reeleger Dilma Rousseff para mais quatro anos no comando do País.
Pois na quarta-feira veio mais um golpe ao setor mais criticado do governo: o Brasil não vai conseguir acompanhar nem mesmo o crescimento médio da economia mundial em 2014 e 2015 e a expansão do PIB terá um desempenho mais fraco até mesmo que os países ricos que ainda sentem o peso da crise. Dados divulgados na última quarta-feira, 21, pela ONU revelam que o crescimento do PIB nacional no ano será de apenas 1,7%. No início do ano, a projeção da entidade apontava para um crescimento de 3%. A ONU também alertou que a expansão da economia mundial será menor do que se imaginava e esse freio ocorre justamente por causa do mau desempenho dos mercados emergentes.
No que se refere ao Brasil, a revisão para baixo é a segunda maior feita pela ONU sobre um país e só a Rússia em pleno conflito com a Ucrânia vive uma situação mais dramática. Com a redução, o organismo agora projeta para o Brasil um crescimento no mesmo ritmo da Europa, continente que pena para sair da crise. A expansão do PIB nacional ainda ficará abaixo da média mundial de crescimento, de 2,8% no ano. Mesmo os países ricos, que ainda enfrentam sérias dificuldades por causa da crise de 2008, já vão crescer mais que o Brasil no ano. Nos EUA, a taxa prevista de expansão é de 2,5%. Os últimos dados oficiais do governo revelam que a economia brasileira de fato perdeu fôlego ao longo dos três primeiros meses deste ano. O trimestre registrou uma expansão de apenas 0,3% do PIB. Em março, o Índice de Atividade Econômica do BC até mesmo recuou em 0,11%
Para 2015, a ONU prevê ainda um crescimento baixo no Brasil, de apenas 2,8%. O índice é inferior à média mundial, de 3,2%, e bem abaixo dos 4,2% projetados inicialmente para a economia brasileira. Em 2013, o Brasil registrou uma expansão de sua economia de 2,3%, acima da média mundial de 2,2%. O impacto do freio no Brasil será sentido em toda a América do Sul, com uma taxa de expansão de apenas 2,1%. Longe da realidade brasileira, o México se aproveitará da recuperação dos EUA e crescerá 3,2% em 2014. Como se pode ver, caso o governo mantenha a política econômica que mostrou seu esgotamento nos últimos dois anos, dificilmente o Brasil irá acompanhar o ritmo do resto do mundo. A política de desonerações não consegue trazer de volta os bons índices e algo precisa mudar.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.