Enfermeira do PSI ‘presenteia’ secretária com caixa de baratas


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A enfermeira Aparecida Santos Lima, que trabalha há 14 anos no Pronto-socorro Infantil, ontem em depoimento à CEI da Saúde
A enfermeira Aparecida Santos Lima, que trabalha há 14 anos no Pronto-socorro Infantil, ontem em depoimento à CEI da Saúde
Há 14 anos, a enfermeira Aparecida Santos Lima trabalha no Pronto-socorro Infantil. Nesta quinta-feira, disse que o local não tem mais condições de atendimento. Narrou episódios que parecem fictícios, mas não são. Entre eles, o encontro de um gambá morto e em decomposição na tubulação de esgoto do PSI, a convivência com uma “família” de urubus que morava no telhado do prédio e até o convívio com um rato que costumava aparecer pelos corredores do PS. Mas o mais impressionante foi o fato de, cansada de esperar por providências, Aparecida ter “presenteado” a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, com uma caixa de baratas mortas. 
 
As afirmações foram feitas durante o depoimento da enfermeira à CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara Municipal para apurar problemas no atendimento municipal de Saúde. 
 
Aparecida Santos Lima disse que, desde que começou a trabalhar no PS, já perdeu as contas do número de ofícios e abaixo-assinados que foram feitos pelos funcionários comunicando a administração municipal sobre os problemas de higiene e estrutura existentes no Pronto-socorro Infantil. “Nunca fomos ouvidos. Nunca tomaram providência nenhuma. De vez em quando, mandavam dedetizar, mas não resolvia nada.”
 
Ela narra que o encontro de baratas no prédio ainda é frequente. “Eu sou a matadora oficial de baratas. Sempre que encontram uma já me gritam. Depois da dedetização feita há um mês, melhorou um pouco, mas elas ainda estão lá. Nem nosso pão que a Secretaria manda podemos deixar em recipiente destampado, porque enche de barata.”
 
Ela disse que já cansou de fazer reclamações a respeito. “Uma vez estava tão enfezada que fiquei das 3 às 7 horas juntando as baratas que eu matava e colocando em uma caixa. No final, estava cheia até a metade. Peguei e levei para a secretária para que ela visse o quanto a situação era grave. Não tive resposta.”
 
Ela confirmou a informação passada de que não há segurança no PS. “Não tem mesmo. E quando fomos reclamar para o prefeito, ele disse que lá era atendimento de crianças, que não precisava. Mas a criança sempre vai acompanhada por um adulto.”
 
A enfermeira ainda disse que já encontrou um gambá morto no esgoto. “Percebemos o cheiro de carniça e ninguém sabia o que era. O pessoal da limpeza foi atrás e encontraram esse gambá morto no cano.”
 
Sobre a infestação por animais que oferecem risco à saúde, ela lembrou que, durante um tempo, a equipe de funcionários conviveu com um rato. “A gente colocou até um apelido nele. Chamamos o pessoal da Prefeitura para matar e eles não vieram, então, começaram as brincadeiras. A gente falava que só faltava ele ter holerite. Por fim, acabou aparecendo morto.”
 
Para ela, o pronto-socorro vive um caos. “O risco ali é muito alto. Não tem como separar os doentes infectocontagiosos. Esta semana mesmo, tivemos um caso de meningite que descobrimos depois, mas antes a criança estava no salão de espera lotado.”
 
A enfermeira disse que compreende a irritação dos pais que levam seus filhos. “Meu estômago embrulha de ver tanta gente esperando e saber que não tenho como resolver. Os pacientes reclamam, e com razão.”
 
Falso testemunho
Além de Aparecida, ainda prestaram depoimento ontem o médico Roberval Donizete Antoneli, que confirmou a falta de condições de atendimento, e as enfermeiras Camila de Lima Molina e Kátia Rezende. 
 
Esta última é suspeita de ter cometido falso testemunho. Durante seu depoimento à CEI, Kátia afirmou que a espera por uma consulta do PS Infantil é de uma hora na média. Mesmo sendo alertada pelo vereador e membro da comissão, Daniel Radaeli (PMDB), sobre o juramento feito antes do início de seu depoimento, Kátia manteve a afirmação. 
 
O vereador, então, fez um requerimento verbal solicitando à presidente da CEI, vereadora Valéria Marson (PSDB), que requeira todas as fichas de atendimento feitas nos últimos três meses pelo PS. “Se ficar comprovado que a espera é superior ao afirmado, ela poderá ser indiciada pelo crime de falso testemunho”, disse o vereador. 

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