Os moradores do Alto da Boa Vista, em Restinga, obtiveram na tarde de ontem um avanço na luta para conquistar a infraestrutura prometida pelo município há 14 anos. Durante uma audiência promovida pela Promotoria de Justiça e Habitação, o atual governo da cidade vizinha se comprometeu a entregar as obras de galerias pluviais - pré-requisito para a instalação de asfalto - até o fim deste ano.
Ainda na audiência, o promotor Carlos Henrique Gasparoto instituiu uma comissão, formada por quatro moradores do bairro, para fiscalizar e cobrar prazos e acordos firmados entre as partes. “Essa comissão poderá acompanhar todo o processo de licitação e terá acesso irrestrito aos documentos”, disse. Segundo o promotor, a intenção é fornecer um prazo de três meses para a finalização das obras a partir da conclusão da licitação.
O edital da concorrência pública para escolher a empresa responsável pelos trabalhos deverá começar a ser estruturado já na próxima segunda-feira. “A certeza que nós podemos dar, tomando a liberdade e falando em nome do prefeito, é a entrega (das galerias) ainda em 2014”, disse o vereador Leonardo Neves Cintra (DEM), que foi apoiado pelo prefeito interino de Restinga, Dejair Ferreira de Freitas, o “Guim” (PMDB). Ele disse que uma verba de R$ 180 mil foi aprovada pelo Legislativo como recurso para a execução das obras.
Como membro da comissão de fiscalização, o comerciante Julimar Rodrigues afirmou que procurará auxílio de um advogado para não haver dúvidas sobre o andamento dos trâmites. “Vamos acompanhar tudo e não vamos dar sossego. Vamos querer ver todos os documentos e correr mesmo atrás de nossos direitos.”
A audiência foi marcada por conversas paralelas e colocações acaloradas de ambas as partes. Em mais de um momento, o promotor interveio pedindo para que apenas o futuro fosse discutido, deixando de lado as divergências passadas. As principais reclamações dos moradores são ligadas à falta de massa asfáltica no bairro.
Segundo os presentes, o pó intenso tem causado problemas de saúde em crianças da região. “E quando a gente liga chamando a ambulância, tem que ouvir que ela não pode ir buscar porque foi lavada naquele dia e no Boa Vista tem muito pó”, disse a moradora e membro da comissão, Sônia Maria da Silva.
“Estamos abandonados ali. Há 12 anos o correio não ‘passa’ ali e a única coisa que o pobre tem a zelar é o nome. Já tive meu nome sujo, porque não recebi fatura de banco”, desabafou o pedreiro Fabiano de Souza.
Sobre a negativa dos Correios em entregar correspondências no bairro, o promotor prometeu intervir, notificando a agência e pedindo para que o trabalho de entrega passe a ser feito no local.
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