A saúde pública em Franca vive um momento nada tranquilo. Além dos problemas que o Comércio e a Difusora divulgam em seus noticiários, a CEI (Comissão Especial de Inquérito) atualmente em curso
na Câmara de Vereadores deixa claro, a cada oitiva, que nada vai bem no setor, bem ao contrário do que tenta demonstrar a Prefeitura Municipal ao apresentar números frios, que não são capazes de mensurar a qualidade do atendimento prestado aos francanos. Afinal, pelo menos 70% da população dependem da saúde pública. E esta parcela expressiva tem sido negligenciada quando se trata de atendimento médico.
Falar que vai mal é chover no molhado. A situação, que vem sendo esclarecida por médicos que atendem nas unidades de saúde mantidas pela Prefeitura, está péssima. A cada sessão da CEI surgem novas revelações de que a saúde pública em Franca vem sendo mal gerida, sofrendo a população com a incapacidade administrativa de seus responsáveis. Estamos à beira do caos e até agora o Executivo municipal não se mexeu no sentido de resolver o principal problema: a falta de médicos que causa uma demora injustificável no atendimento.
Como o Comércio informou em sua edição de ontem, os pacientes esperam cerca de 10 horas para serem atendidos no Pronto-socorro ‘Álvaro Azzuz’. Apenas quatro médicos se encontravam no local, na tarde de anteontem, para atender cerca de 200 pacientes que aguardavam por uma consulta. Trata-se de uma situação que não pode perdurar, já que a população francana vem sendo tratada com descaso, num setor bastante sensível onde se relatam quatro mortes em razão de descasos e equívocos.
Além disso, causou grande preocupação o testemunho do médico pediatra Márcio Cândido Batista, que trabalha no Pronto-socorro Infantil há quase 15 anos, durante audiência da Comissão de Inquérito da Câmara. Na quarta-feira ele afirmou que a situação no local é calamitosa. ‘O PS Infantil está na UTI, está morrendo.’ E o que é pior: ele afirmou, para espanto dos que acompanhavam a oitiva da CEI, que ‘não levaria meu filho lá nem para uma consulta’.
Somente a partir do momento em que nossas autoridades usarem o sistema público de saúde para se tratarem é que poderemos dizer que o bom atendimento de toda a população estará garantido. Porém, não é o que acontece. Quem pode paga plano de saúde e busca um atendimento de melhor qualidade. Quem não tem condições precisa se sujeitar à falta de profissionais, ambientes insalubres e consultas-relâmpago. Muitas vezes, exames essenciais são evitados, colocando em risco a vida de milhares de pessoas não só em Franca como também pelo Brasil afora.
O que se espera, agora, é que a CEI da Saúde realmente produza resultados capazes de melhorar o sistema. Se apenas ouvir denúncias e não agir, todo esforço terá sido inútil. É necessário que os responsáveis por levar o atendimento médico a este estado caótico sejam responsabilizados. O povo vem sendo tratado com muito descaso. Não é justo. Não está certo.
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