Espera no Pronto-Socorro dura até 10h e consulta 1 minuto


| Tempo de leitura: 3 min
Maria Alves da Costa conforta a filha que sentia fortes cólicas enquanto aguardava por atendimento no Pronto-socorro Municipal
Maria Alves da Costa conforta a filha que sentia fortes cólicas enquanto aguardava por atendimento no Pronto-socorro Municipal
Dez horas. Esse é o tempo que pode chegar a espera de pacientes que buscam atendimento no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. A informação é de um funcionário do local. Uma placa na recepção informava que, na tarde de ontem, havia quatro médicos no “Azzuz” para atender cerca de 200 pacientes que aguardavam por uma consulta.
 
“O pessoal que chegou às 13 horas está passando agora (15 horas) pelo pré-atendimento. Depois de passar por aqui, tem uma espera mínima de cinco horas para a consulta. Tem muita gente que fica aqui de oito a dez horas. À noite é pior, mas aqui está problemático 24 horas”, disse o funcionário que pediu para não ter o nome divulgado.

Assista:

 
Mesmo pacientes que aparentavam quadro mais grave de saúde tiveram de esperar. A lavradora Maria Alves da Costa, 55, levou sua filha de 16 anos ao PS por volta das 14 horas. A garota estava aos prantos, pois sentia cólica, também estava fraca e mal conseguia andar. Ela chegou a vomitar na sala de espera do “Álvaro Azzuz”. Apesar de aparentar sentir uma forte dor, a menina ainda não havia sido atendida duas horas depois da chegada ao PS. “Minha filha está mal, e eles não fazem nada. A única coisa que fizeram foi medir a pressão dela na hora da triagem. Nem sei até que horas vamos ficar aqui”, disse Maria.
 
Um policial chegou a ir até o pronto-socorro e orientou os pacientes a registrar um Boletim de Ocorrência por omissão de socorro. O servente de pedreiro José Reginaldo Levorato disse que iria fazer o registro na polícia, porém, por outro motivo. Sua bicicleta, que estava na porta do PS, foi furtada enquanto ele aguardava atendimento. “Estou com muita dor nas costas, mas se soubesse que ia ser roubado nem teria vindo aqui. Quem vai me dar outra bicicleta agora?”
 
‘Bênção’ médica
Um paciente, que não quis se identificar, estava na iminência de desistir do atendimento, após cinco horas de espera, quando seu nome foi chamado para consulta. “Estou com a pressão baixa e com tontura. Mas o médico levou só 40 segundos para me receitar o soro e me dispensar da sala. Os médicos só benzem.”
 
Depois de esperar por seis horas por consulta na última terça-feira por conta de uma infeção de urina, a vendedora Adriele Cristina Zambe, 20, retornou ao PS no fim da manhã de ontem para buscar o resultado do exame. A vendedora relatou ter o mesmo sentimento de ter sido apenas “benzida” pelo médico durante a consulta. “Eles precisam de um minuto para definir o que a gente tem. Hoje esperei cinco horas. Estava com febre e tive que ir até a farmácia aqui em frente comprar um remédio, pois sabia que ia demorar.”
 
A dona de casa Ana Paula Furin levou a filha com dor de garganta para ser atendida no “Azzuz”. Porém, após mais de três horas de espera, mãe e filha voltaram para casa sem atendimento. “Desisti. Vou tentar uma injeção na farmácia mesmo.”
 
Sem resposta
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde no final da tarde de ontem e foi orientada a aguardar uma resposta da assessoria de imprensa com o posicionamento da Prefeitura sobre o caso. A nota não foi enviada até o fechamento desta edição. A reportagem telefonou ainda no celular da secretária de Saúde, Rosane Moscardini, e do assessor de imprensa da Prefeitura, Marcelo Facuri, mas nenhuma das diversas chamadas foi atendida.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários