Há muito tempo estamos alertando para o grave problema da violência urbana, que causa transtornos à população de Franca, do Brasil e do Mundo. Afinal, seja em terras tupiniquins com o flagelo que o crime leva aos cidadãos de bem; seja na Síria, onde uma guerra civil já causou centenas de milhares de mortos; seja na Nigéria, onde fundamentalistas islâmicos praticam atos terroristas, matando inocentes e sequestrando jovens estudantes. Em Franca, percebe-se que a questão tem começo, meio e fim. A partir dos chamados atos infracionais atualmente vê-se em que pé estaremos dentro de alguns anos.
De acordo com reportagem do Comércio em sua edição de ontem, nem as escolas estão a salvo: os casos de violência não param. Anteontem, mais cinco foram registrados em diferentes estabelecimentos. Na Zona Sul, ladrões invadiram e furtaram duas unidades. Na Zona Norte, um menino de 9 anos é suspeito de furtar R$ 7 de uma professora. No caso mais grave, na mesma região, um rapaz de 16 anos ameaçou funcionários, danificou um bebedouro e quebrou vidraças com pedradas. Na Zona Oeste, um aluno de 15 anos proferiu ameaças a funcionários.
São situações que, além de levar pânico aos demais alunos, assustam educadores que já se sentem desvalorizados. Há muito tempo se diz que, nos tempos atuais, cobra-se da escola a educação dos alunos, mas deve-se ressaltar que a educação vem do berço, como diz um antigo dito popular. À escola (e aos educadores) cabe transmitir conhecimento, ensinar. Porém, nas últimas décadas, em razão de uma legislação inadequada, criou-se uma geração de jovens aos quais tudo é permitido e nada é cobrado. O advento do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) tornou a situação bem mais complicada.
Menores de 18 anos, atualmente, podem matar, roubar e traficar sem que sejam penalizados, mesmo diante de um crime hediondo. Criou-se uma legislação fantasiosa com o objetivo de proteger a infância e a adolescência. Porém, os legisladores extrapolaram ao colocar num mesmo patamar a infância em risco e pequenos e ferozes marginais que não se arrependem das barbáries que perpetram. Precisam ser tratados como criminosos frios e sem possibilidade de recuperação e não como jovens indefesos e frágeis. A estes últimos deve-se proteger. Aos bandidos, só a cadeia.
Ao impedir que pais e tutores ajam com rigor diante dos malfeitos dos filhos, o ECA cria pequenos marginais cuja ação é sentida nas escolas de Franca, assim como em todo o Brasil. Não estamos defendendo aqui que as correções descambem para a violência. Mas que menores de idade percebam que, mesmo convivendo com a violência e a criminalidade, eles têm deveres. O que não se pode mais é fechar os olhos para o mal que todos estamos fazendo às próximas gerações, diante da falta de limites de nossos jovens. O respeito e certa noção de hierarquia devem ser ensinados desde a mais tenra idade, para que crianças e adolescentes se tornem adultos responsáveis e produtivos.
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