A pizza já está no forno


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Como todo brasileiro vem acompanhando no noticiário dos últimos meses, a nossa classe política ainda acredita que o eleitor pode ser enganado por um espetáculo teatral intitulado CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, instalada pelo Senado. O modelo foi criado apenas para fazer jogo de cena, já que se sabia de antemão que o grupo investigatório seria dominado pelos partidos aliados à presidente Dilma Rousseff (PT). Ela só foi instalada em razão de uma liminar do STF (Supremo Tribunal Federal). O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), buscou de toda forma atender ao governo e impedir a comissão, mas capitulou e instalou uma CPI que, já se sabe, não vai apurar nada. Antes disso, pretende constranger os adversários de Dilma nas eleições de outubro, como Aécio Neves (PSDB), por causa das denúncias que pesam sobre a CPTM em São Paulo, e Eduardo Campos (PSB), em razão de um suposto superfaturamento das Obras do Porto de Suape, em Pernambuco.
 
A reunião de ontem, ouvindo o ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, mostrou que não há a intenção de investigar as graves denúncias que pesam contra a estatal, principalmente por causa da compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, e as suspeitas de que a empresa estaria sendo usada para arrecadar dinheiro para parlamentares da base aliada. São denúncias graves que vinham sendo investigadas pela Polícia Federal. Porém, depois que o ministro Teori Zavascki, do STF, mandou libertar ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, além de cobrar o envio do inquérito ao Supremo do inquérito, não se sabe qual caminho o assunto tomará agora.
 
O brasileiro bem informado, que acompanha pelos jornais, TV e rádio os desdobramentos do assunto, percebe que não há interesse dos governos em investigar o que possa comprometê-los. CPIs são barradas e os políticos contam com a premissa de que o eleitor continuará sendo enganado. Esquecem-se, apenas, que a internet hoje é capaz de disseminar informações quase em tempo real e que o País conta com milhões de usuários. Não se pode mais tramar nos cantos mais obscuros do Congresso sem que se tome conhecimento.
 
A oposição recusa-se a participar da CPI do Senado, pois cobra uma comissão mista, envolvendo senadores e deputados federais, a qual seria mais desconfortável para o governo, uma vez que a base de sustentação do Planalto na Câmara não é tão aliada assim. Desta forma, não aconteceria como ontem, quando Gabrielli foi afagado, desdisse o que havia garantido há menos de um mês, sem ser contestado. Trata-se de uma investigação “de mentirinha”, onde a maior estatal brasileira — cuja gestão vem sendo questionada e continua pujante e dando lucros apenas nas maciças propagandas da televisão — passará ao largo de um escaneamento necessário. Só com uma investigação isenta é que se saberá qual é o verdadeiro rombo da estatal e se ela foi mesmo usada para manobras fraudulentas. Afinal, é isto o que o Brasil espera.

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