A Prefeitura convocou ontem, à sede da Secretaria Municipal de Saúde, os médicos da Rede Pública de Franca para conversar a respeito do TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado pelo Município junto ao Ministério Público na última quarta-feira. O acordo visa a regularizar o expediente dos profissionais e acabar com o pagamento de horas extras através de esquema irregular há pelo menos oito anos (leia texto nesta página).
A portas fechadas, a reunião teve início por volta das 19 horas e prosseguiu por duas horas. A presença da imprensa não foi permitida. Até mesmo o vereador Luís Antônio Cordeiro (PSB) foi convidado a se retirar pela secretária de Saúde, Rosane Moscardini, ao chegar ao prédio da Secretaria. “Na sexta-feira, o senhor Alexandre (Ferreira, PSDB) se encontrou com o promotor público e afirmou que já estaria acertando as pendências e eu, como vereador, vim para saber como fica a situação da cidade. Infelizmente, essa reunião é fechada e a secretária pediu para que eu não entrasse. Sem dúvida, eu falarei com prefeito entre amanhã e sexta-feira para vermos se a situação se ajusta”, disse Cordeiro. “Esse é um assunto público e deveria ser aberto à população, principalmente a um vereador, que é representante do povo.”
Parte dos profissionais presentes deixou a reunião antes do fim. A passos apressados e semblantes fechados, não quiseram gravar entrevista, mas adiantaram que somente depois do dia 31 de dezembro - data estipulada pelo Ministério Público para que a Prefeitura se regularize - é que precisarão “se preocupar” com os termos do acordo.
Embora esse pensamento tenha sido pontuado, ao fim da reunião muitos profissionais se aglomeraram para comentar o teor do encontro. Frases soltas, ditas em alto som, como “Vou ter que ir para casa para saber quanto vou ter que pagar de horas extras” e “Será que o Ministério confisca mesmo? Eu só tenho uma casa” foram ditas em tom apreensivo.
O presidente do Sindicato dos Médicos, Marco Aurélio Piacesi - que esteve presente na reunião -, disse que não falaria sobre o caso antes de se reunir com os colegas, ainda na noite de ontem. Procurado horas mais tarde, não atendeu às ligações ao seu celular. O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) se recusou a comentar o encontro.
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