Droga, mal do nosso tempo


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Não é de agora que ressaltamos aqui a situação de nossa sociedade diante do perigo representado pelas drogas entorpecentes, que a cada dia ameaçam jovens e crianças. O advento do crack trouxe uma nova perspectiva já que, em razão de seu baixo custo, criou um batalhão de dependentes. E sua alta letalidade encurta vidas que ainda estão em seus primeiros anos, trazendo uma preocupação que, infelizmente, não se vê refletida em quem tem condição de buscar soluções para este grave problema, as nossas autoridades constituídas.
 
Nos últimos anos, o tráfico de drogas tem sido o principal financiador do crime organizado no Brasil. Banca crimes, grupos criminosos e até agentes de segurança para que façam vistas grossas a suas atividades delituosas. Felizmente, estes últimos são uma minoria que, nos últimos anos, está sendo identificada e responsabilizada. Mesmo assim, o vício em drogas tornou-se um flagelo a ser combatido. Há poucas e isoladas iniciativas, como a do governo do Estado de São Paulo, onde o tratamento de viciados é estimulado e pago. A prefeitura de São Paulo também busca saídas. Embora o governo federal tenha anunciado um plano de enfrentamento ao vício em drogas, este ainda não saiu do papel e nem chegou onde é mais necessário: junto às populações vitimizadas por este problema crescente.
 
Então, é digna de aplausos a atuação da Polícia Civil em Franca, que conseguiu apreender uma grande quantia de pasta base de cocaína que, com a adição de produtos químicos e solventes, poderia render cerca de R$ 3 milhões ao tráfico de drogas na cidade. No último domingo, agentes da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) de Franca, em conjunto com a Delegacia de Polícia de Patrocínio Paulista, e apoio das outras delegacias e Distritos Policiais de Franca, realizou a maior apreensão de pasta-base de cocaína da história. As investigações que duraram um ano foram batizadas como ‘Operação Droga na Mata’, e resultaram na prisão de RCC, 31, residente no Jardim Luiza. Ele foi flagrado com quase 21 quilos da droga.
 
O material estava em uma área rural abandonada próxima a Patrocínio. A pasta-base, depois de refinada, renderia cerca de 60 kg de cocaína em pó para venda direta aos usuários. A polícia diz que cada quilo da pasta base custou ao traficante R$ 12 mil, ou seja, a quantia apreendida vale, aproximadamente, R$ 250 mil. Segundo o delegado Djalma Donizete Batista, da DISE, a quantidade de droga apreendida renderia cerca de 310 mil papelotes de cocaína. Com o preço do papelote a R$ 10 a quantia apreendida movimentaria mais de R$ 3 milhões.
 
Caso houvesse uma rede de tratamento para viciados em entorpecentes, bancada pelo governo, seria talvez menos difícil combater o tráfico. E poderia acarretar um efeito dominó, já que sem a droga e sem usuários, o tráfico levaria um grande golpe, o que influiria ainda na redução da violência que se tornou, nos últimos anos, numa das maiores preocupações da população brasileira.

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