A escassez de chuvas e o clima frio, típicos desta época do ano, têm trazido à tona um grave problema para a população de Franca: o aumento do número de queimadas. Somente nesse começo de mês, o Corpo de Bombeiros tem atendido uma média de sete ocorrências por dia e a tendência é que situação fique ainda pior. Em junho, conhecido historicamente por ser muito seco, a quantidade de chamados para apagar focos de incêndio deve dobrar.
Para a corporação, o aumento do número de casos tem relação com a seca recorde do período e também a falta de prevenção por parte da população. De acordo com dados da Defesa Civil do Estado de São Paulo, há 15 dias não chove na cidade e segundo os meteorologistas, o ar mais seco que inibe a formação de nuvens de chuva ainda não vai dar trégua. Para maio, a média pluviométrica é de 57,4 milímetros.
Estiagem
Segundo o cabo Edilson do Corpo de Bombeiros, a falta de chuvas associada ao clima seco oferece condições propícias para propagação das chamas. “As ocorrências têm aumentado bastante desde o final do mês passado. Houve dia de atendermos até 12 chamados e ainda nem entramos no período crítico.” Ele adverte que a temporada de queimadas segue até agosto, tendo os meses de junho e julho como os com maior número de registros de casos.
Levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que acompanha as ocorrências de queima de vegetação via satélite, mostra que neste ano Franca registrou apenas um caso de queimada de grandes proporções, porém o baixo índice não significa que a situação está controlada. O pesquisador e coordenador do monitoramento, Alberto Setzer, afirma que o número de ocorrências é maior, pois os satélites mostram apenas parte da realidade local. “Os satélites não detectam pequenas e médias queimadas como aquelas que ocorrem em fundo de quintal. Contabilizamos apenas aquelas de grandes proporções.” Geralmente, o sistema registra incêndios com ao menos 30 metros de extensão por um metro de largura.
Alastra
De acordo com o especialista, os focos começam pela ação humana e a propagação acontece pela associação da baixa umidade relativa do ar, com a alta temperatura e a escassez de chuva. “Sempre o fogo começa por acidente ou intencional, dificilmente sozinho. As pessoas usam o fogo para renovar pastagem, desmatamento, limpeza de terreno ou queima de lixo e quanto mais dias secos, mais fácil o fogo se alastra”, disse Alberto Setzer.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.