Chegar à presidência do Franca Basquetebol Clube era realmente o sonho do bancário aposentado Paulo Nocera Alves. E o seu trabalho foi intenso ao longo dos anos para conquistar o cargo máximo do clube. Eleito novo mandatário para o próximo biênio, Paulo Nocera, de 57 anos, terá como seu primeiro grande desafio solucionar a questão de um novo patrocinador máster para o clube. Com o anúncio do fim da parceria com a empresa de telefonia Vivo, o presidente eleito já iniciou um árduo trabalho antes mesmo de tomar posse, marcada para o dia 1º de junho. Mas essa situação não desanima Nocera.
Em entrevista ao Comércio, o novo presidente do clube demonstra confiança na busca de um novo investidor. “Começamos da estaca zero. Eu e minha diretoria estamos numa luta incansável para conseguir esse novo patrocinador. Acredito muito em nosso sucesso”, afirma.
A diretoria planeja buscar receita através de projetos com o setor privado, com a Lei de Incentivo ao Esporte, onde benefício fiscal é sobre o Imposto de Renda e permite que qualquer pessoa física destine parte de seu imposto para projetos esportivos e paradesportivos. Na temporada passada, o Franca Basquete conseguiu um benefício de R$ 400 mil, com a Sabesp.
Em relação ao time, Paulo Nocera promete formar uma equipe forte e competitiva. A primeira medida foi renovar com o técnico Lula Ferreira por mais dois anos. No elenco, a intenção é manter os principais jogadores para a próxima temporada, e se possível, reforçar com qualidade. Sonho de consumo dos torcedores do clube, o norte-americano Robert Day, dispensado do Uberlândia, é um dos nomes pretendidos. Nocera estipulou como meta recolocar o time no topo do basquetebol.
Há dois anos, o senhor era candidato à presidência do clube. De última hora, deixou de registrar candidatura para compor uma única chapa, mas desistiu do cargo que ocupava na área financeira com menos de três meses. A vitória de agora é uma volta por cima?
Naquela época, quando montei a chapa para fazer o registro, fomos surpreendidos com o anúncio da saída do técnico Hélio Rubens Garcia. Isso realmente mexeu com todos no basquete. Então, fui procurado para unir e compor uma única chapa e concordei. Mas, infelizmente, as ideias começaram a não bater e a partir daí optei por renunciar ao cargo de financeiro, depois de 70 dias. Não carrego nenhuma mágoa disso. Continuei meu trabalho e apoio ao basquete, e depois de dois anos consegui ser eleito presidente.
Após vencer, o senhor prometeu resgatar a tradição do clube e levá-lo de volta ao topo. O torcedor pode esperar por título na próxima temporada?
São 55 anos ininterruptos, onde cada presidente, funcionários e jogadores, contribuíram com sua parcela para manter essa tradição. Da minha parte não será diferente. É muito difícil falar que vamos montar um time para ser campeão. Vamos trabalhar forte, para montar uma equipe com bons valores, que mantenha nossa cultura de jogo coletivo e possa brigar até o fim para chegar à disputa do título.
Na história do Franca Basquete, pouquíssimas vezes houve disputa nas eleições para presidência. Na maioria das vezes, o vencedor é aclamado. O senhor sabe que não é unânime entre os conselheiros. Isso pode dificultar seu trabalho?
A disputa na eleição não quer dizer que você tenha resistência. A escolha ficará entre um ou outro candidato. A partir daí, o conselho ouve cada proposta de trabalho e o que cada um pretende fazer para o clube. Em tudo que você almeja ou disputa, existe uma estratégia. Os conselheiros conhecem meu trabalho e a vontade que tinha em ser presidente do Franca Basquete.
O primeiro grande desafio de sua gestão será conseguir um novo patrocinador máster ao time, no lugar da Vivo. Como está essa situação?
Estou numa luta incansável, mas em nenhum momento esmoreci, abdiquei de ir em São Paulo e fazer contatos. Realizei visitas políticas na Federação Paulista e na Liga Nacional, e é claro que me reuni com empresas. Sabemos que será um trabalho árduo. A diretoria atual apresentou alguns contatos dela, mas de concreto não se tem nada. Começamos da estaca zero, mas acredito muito em nosso sucesso.
Nos bastidores, o nome da Samsung é tido como provável patrocinador da equipe. O senhor esteve reunido com representantes desta empresa? Como anda a negociação?
Antes mesmo da eleição, ouvi dizer que a Samsung seria o patrocinador do clube. Na verdade, tivemos em contato com uma agência de publicidade, e ela tem esta empresa como cliente. Não só ela, como também a Volkswagen, Coca-Cola, Santander, Pepsi, e várias outras empresas. Estamos em contato com essa agência, que prefiro não falar o nome, e ela está fazendo um trabalho de captação do patrocinador. Mas não é tão fácil, e não sairá da noite para o dia.
Que dificuldades a agência publicitária encontra para negociar com as empresas?
A questão do investidor não é tão simples como parece. A agência explanou dificuldades de conseguir um patrocínio específico, pois muitas empresas preferem abdicar do imposto e fazer aporte nos projetos de Lei do Incentivo ao Esporte, onde a empresa ao invés de fazer o recolhimento do imposto de renda ou do ICMS, destina uma parcela para projetos desportivos. Temos alguns projetos em andamento, para conseguirmos esse suporte para a temporada.
Os recursos financeiros conseguidos por meio da Lei de Incentivo ao Esporte podem ser utilizados de que forma pelo clube?
O esporte de alto rendimento sobrevive a esse projeto de Lei de Incentivo ao Esporte. Esse projeto que chamamos de ‘verba carimbada’ ajuda a tocar o time. A quantia podemos usar para pagar hospedagens durante jogos, transportes nas viagens, alimentações dos jogadores, entre outras coisas. Para se ter uma ideia, o Esporte Clube Pinheiros, por exemplo, conseguiu arrecadar um valor de R$ 71 milhões, para modalidades como basquete, natação, judô, ginástica e vôlei.
Em relação ao elenco, a primeira medida foi a renovação de contrato com o técnico Lula Ferreira. Além dele, quem mais segue no clube?
Começamos com o pé direito ao renovar com o Lula. Firmamos compromisso por mais dois anos e daremos continuidade ao projeto de renovação. É um técnico de ponta no basquete brasileiro e reconhecemos seu valor. Não é segredo para ninguém que nossa intenção é dar sequência e manter principalmente o time titular. Porém, ainda estou no aguardo da lista de atletas com os quais ele pretende contar para a próxima temporada, como também, alguns reforços.
O norte-americano Robert Day sempre foi sonho de consumo por parte do torcedor. Ele está fora do Uberlândia, o clube pretende contratá-lo?
Jogadores de qualidade no mercado interessa não só para gente, mas para todos os clubes. É um atleta interessante, e claro que temos interesse. Mas isso não quer dizer que está contratado. Primeiro temos que resolver a situação desse aporte financeiro e tendo esse sucesso vamos segurar nossos principais jogadores e buscar alguns reforços.
O senhor diz que não tem nada fechado com um patrocinador para o clube. Como é negociar com jogadores, mas sem ter o dinheiro?
É muito difícil negociar com jogador sem dinheiro. Porém, isso não desanima nosso trabalho. Estamos correndo atrás desses patrocinadores, e na elaboração dos projetos esportivos. Paralelamente não podemos perder tempo em relação a montagem do time. Vamos trabalhar com os pés no chão, e realmente gastar só aquilo que temos. Conversei com todos no grupo. Os atletas entenderam nossa situação e nos deram voto de confiança.
O Vivo/Franca foi eliminado pelo Paulistano na série de quartas de final do NBB6. Que avaliação o torcedor Paulo Nocera faz desta última temporada sobre o time?
A gente sabe desde o início que nosso time foi limitado. Em conversas com o Lula, ele comentou que a pré-temporada forte é essencial, e que deveria ter pelo menos oito semanas de treinamentos para o time atingir um pico máximo para começar o campeonato. Perdemos Paulão, Léo e Lucas para a seleção brasileira, o Basden teve atraso em sua chegada por causa do visto de trabalho. O nosso treinador conseguiu trabalhar o time em duas semanas, e isso atrapalhou muito principalmente no início.
O armador Helinho é ídolo do torcedor francano e está próximo da aposentadoria. Como forma de homenagem, existe a possibilidade de ele jogar por Franca?
Tenho um carinho especial por ele. Trabalhei com o Helinho no clube, quando fiz parte em outras diretorias. É um atleta exemplar, vitorioso, de seleção brasileira, e com um carisma fora do comum. Ouvi dizer de algumas pessoas que ele tem o interesse de se aposentar defendendo Franca. Vamos aguardar a listagem do Lula, com quem ele quer trabalhar, para tomar um posicionamento. Quem sabe!
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