De um exército de trabalhadores braçais, formado, muitas vezes, por migrantes nordestinos que vinham para o sudeste tentar uma vida mais digna para o quase total processo de mecanização. Assim é a lavoura da cana de açúcar hoje. No terceiro ensaio da série especial “Trabalhadores”, o Comércio traz imagens da produção canavieira no vale do Sapucaí, entre os municípios de Patrocínio Paulista, Batatais e Restinga. Ali encontramos pessoas como Marilza Gonçalves, de 43 anos, que trabalha no plantio da cana. Uma das poucas etapas do processo ainda feita com a força dos braços. Para ela, o trabalho que faz exige menos esforço físico do que o do corte. Mas ainda assim é exaustivo para uma mulher executar. “Se pudesse, faria outra coisa.”
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São quatro horas da madrugada. É hora de levantar e preparar o almoço, que não tem hora para acontecer. Pois tudo depende do volume de serviço naquele dia. Depois da marmita pronta, é o momento de deixar o lar e ir ao encontro do transporte que as levará à lavoura. No relógio, nesse momento, o ponteiro já passa das cinco. Mais uma hora na estrada e, já com o dia amanhecendo, começará a lida de mulheres como Marilza Gonçalves, 43, e Maria Inês da Conceição, 45, que deixam Jardinópolis para vir plantar cana na região de Franca. Longe daquela imagem clássica, do rosto cheio de fuligem e do podão fazendo movimentos horizontais, aqueles poucos trabalhadores que ainda desempenham funções manuais enfrentam um trabalho menos árduo, como o corte de mudas e o plantio da cana. A mecanização mudou a rotina dos trabalhadores. Hoje, o trabalho mais duro, que é o corte, é feito por sofisticadas colheitadeiras. Muitos perderam o trabalho por conta do avanço tecnológico. Benedito Pio de Moraes faz parte do grupo. Dos seus 84 anos de vida, 50 foram dedicados ao trabalho com a cana Benedito foi testemunha ocular das mudanças nos canaviais
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