Valéria sofre ameaça de ser punida por criticar o prefeito


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A vereadora Valéria Marson (PSDB) se diz vítima de armação dos tucanos aliados ao prefeito Alexandre Ferreira (PSDB)
A vereadora Valéria Marson (PSDB) se diz vítima de armação dos tucanos aliados ao prefeito Alexandre Ferreira (PSDB)
O prefeito Alexandre Ferreira, presidente da comissão executiva municipal do PSDB, publicou edital, ontem, convocando todos os membros do diretório para reunião terça-feira. No encontro, os tucanos vão votar relatório emitido pelo Conselho de Ética e Disciplina do partido que sugere advertência à vereadora Valéria Marson. Ela está sendo enquadrada internamente por fazer críticas ao prefeito e ao vereador Jépy Pereira.
 
A relação entre Valéria e os colegas de partido começou a se deteriorar no segundo semestre do ano passado durante as eleições para a presidência da Câmara. Vereadora mais votada em 2012, com 5,6 mil votos, ela tinha a promessa de apoio da base governista para ser a presidente em 2014. O acordo não foi cumprido e o grupo, com o aval de Alexandre Ferreira, trabalhou e reelegeu Jépy Pereira. “Fui traída. O mínimo que um político tem que fazer é honrar a palavra dele”, disse na oportunidade.
 
As críticas que Valéria direcionou aos vereadores e ao governo nos dias que antecederam as eleições fizeram com que fosse retirada da liderança do PSDB na Câmara. Foi acusada de gravar e revelar o conteúdo de reuniões em que teria recebido a promessa de apoio da base governista para a presidência. Na sessão do dia 18 de março, vereadores receberam cópias de uma carta anônima pedindo que tomassem providências contra Valéria sob pena de serem chamados de “frouxos ou de bundões”. O documento apócrifo trazia cópias de postagens supostamente feitas por Valéria, com críticas ao prefeito e ao presidente. “Descobri o verdadeiro Jépy. Canalha, desonesto, sem caráter, enfim, não vale a água do batismo”, dizia parte do texto.
 
Jépy determinou que fosse aberto um procedimento na Câmara, que resultou em advertência, e também encaminhou representação ao diretório do PSDB. Ontem, Alexandre Ferreira convocou os tucanos para votarem o relatório, que sugeriu a mesma punição. Conselheiros do prefeito cogitaram a hipótese de expulsão, mas a ideia foi abandonada pelo risco de repercussão negativa. Decidiu-se pela punição mais branda.
 
Valéria sempre negou que tenha feito as postagens e se diz vítima de uma armação dos tucanos aliados ao prefeito. “Eles estão julgando com base no ‘achismo’. O partido não tem prova de nada. Reafirmo que não fiz postagem alguma. Eles querem aplicar uma punição por causa de algo que, supostamente, teria sido feito pela vereadora. É uma carta anônima, que não tem valor nenhum”, disse ela.
 
A vereadora afirma que a eventual advertência, somada ao seu afastamento da liderança do PSDB, é uma retaliação pela conduta de independência que tem adotado como vereadora. Ela disse que outros integrantes da base também já fizeram críticas ao prefeito sem que fossem repreendidos. “É uma perseguição forte, tanto do partido quanto de alguns membros da Câmara. Vários vereadores criticaram o prefeito, inclusive, o próprio Adérmis, então líder, que disse ter sido traído pelo Alexandre. Estamos numa democracia e cada um tem o direito de liberdade de expressão. A voz do vereador é a voz do povo.”
 
A proposta de advertência a Valéria não é consenso e deve dividir o diretório formado por 45 membros. Os tucanos ligados a Roberto Engler e Sidnei Rocha são contra a punição.

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