Rituais religiosos


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A pesquisadora Maria Thereza Lemos de Arruda Camargo acaba de publicar As plantas medicinais e o sagrado, livro que, conforme diz o colaborador Reinaldo José Lopes, no caderno ‘Ciência’, da Folha de S. Paulo (03/03/2014), afirma existir significativa interação entre o uso de algumas plantas da medicina popular e os rituais sagrados. 
 
Segundo a autora, estados alterados do sistema nervoso central seriam provocados pela ingestão de substâncias psicoativas dessas plantas conforme conclusões de suas pesquisas que retroagiram ao século XVI, na Bahia, onde teria encontrado fortes evidências para a elaboração da tese. Todavia, comete equívoco ao pretender que as crenças de origem africana ou indígena, ‘ajudando a moldar o uso de bebidas’, tenham interação com o Espiritismo. 
 
Forçoso considerar que o Espiritismo foi sistematizado na França, a partir de ditados de espíritos de hierarquia superior, pelo pedagogo, cientista e filósofo Hippolyte Léon Denizar Rivail, assinado Allan Kardec, nas suas obras espíritas, com a publicação, em 1857, de O Livro dos Espíritos. 
 
A Doutrina Espírita, que também não é dona da verdade, respeita todas as demais crenças, todavia, vê-se que, pela sua origem e práticas, não tem compromisso algum com bebidas ou rituais. 
 
Refere-se a autora a plantas indutoras de transe. 
 
Sabemos que algumas têm a propriedade de alterar a consciência, a exemplo do cipó denominado huasca, ou ayahuasca, ou ainda, daime, muito utilizado na região amazônica pelos índios, mas, na prática do Espiritismo, a não ser a água, bebida nenhuma é utilizada, seja para que finalidade vier a ser. 
 
O transe, ou passividade mediúnica para se comunicar com a espiritualidade, faz-se pela vontade, concentração e prece, em interação psíquica simples e natural. 
 
Se há ‘centros’ que, dizendo-se espíritas kardecistas, adotam rituais e bebidas, é porque, na verdade, não conhecem o Espiritismo. 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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